
É a “eterna” insatisfação. Pode não haver nenhuma razão concreta ou de plausível, mas está presente sempre a desconfiança ou, como agora se diz, a percepção. É o” sim…mas”, bem português. Uma herança pessimista, parola e bafienta!
“Então, meu caro, como vai?”. “Vou melhor, graças a Deus! Mas ainda sinto aqui…”. É o exemplo clássico do “Sim…mas!”, que pode ser extrapolado para um nível mais generalizado, assim a modos: “não há no mundo país pior do que este”. Como se vivesse numa ilha, e o único país no mundo fosse este, no caso, Portugal.
É uma herança parola e bafienta, transversal, que apanha gente iletrada e, supostamente letrada. Foram dezenas de anos do “orgulhosamente sós” alicerçados naquela “eterna” insatisfação, esperando um D. Sebastião que…não chegou a vir. Ou, se viesse, resolveria todos os problemas.
A foto que ilustra esta crónica é um pequeno e doloroso exemplo, e tem sido motivo para um exercício com o seu quê de mirabolante.
Quando, de vez em quando, me cruzo com alguém conhecido, mais ou menos iletrado, e a conversa acaba por cair nas coisas más que este país tem (e tem, e muitas, diga-se de passagem), assim do género como se não houvesse “amanhãs” e lá fora, noutros países, fosse tudo bom…lá mostro a pequena foto e pergunto: “Está a ver estra foto? Sabe onde é isto?”.
Apanhado de surpresa e com aquela percepção de que tudo é mau em Portugal, lá vem a resposta: ”Ah! É… ali para os lados da Gafanha!”.
No momento seguinte, lanço a dúvida: “Tem a certeza?!”. “Claro, se não for na Gafanha, deve ser ali prós lados de…”.
É então que, com calma, esclareço: “Não é para nenhum desses lados, nem tão pouco é em Portugal. Muito menos num país do chamado Terceiro Mundo!”. “Olhe, duas coisas a título informativo: foi tirada em Abril de 2004, nos arredores de S. Francisco, na Califórnia, num país do chamado Primeiro Mundo, de nome Estados Unidos da América!”.
“Pois, mas eles são um país!…” , respondem, para disfarçar a surpresa. É o eterno “sim..mas”, bem português. Ou para citar Barry Hatton, um jornalista inglês, com descendência lusitana, casado com uma portuguesa e autor do livro “Os portugueses” (um olhar sobre o “verdadeiro retrato de um povo único, fascinante e contraditório”) que lembra Luis Amado, então ministro dos Negócios Estrangeiros português, quando observou em 2010, “alguma exasperação acerca da tendência dos seus compatriotas para acentuarem o lado negativo: “Só oiço dizer mal de Portugal, em Portugal”.
Jesus Zing
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