Alberto Souto, em Oliveirinha.

O candidato do PS foi ontem ao final da tarde apresentar os candidatos a Oliverinha, um ‘bastião’ do PSD, focando na freguesia, deixando, talvez propositadamente, sem referência os temas que têm estado na ordem do dia, mas possivelmente menos interessantes para os fregueses mais afastados do centro da cidade. Uma intervenção que também não guardou uma frase sequer para candidaturas adversárias, mas com críticas à gestão camarária e da Junta local por falta de ação.

A receção deixou Alberto Souto muito animado numa terra onde os socialistas nunca conseguira, assumir o poder, mas que espera alcançar com novos rostos e outros de ‘lutas’ mais antigas. “Ainda dizem que não há juventude. Temos a lista mais jovem aqui em Oliveirinha”, constatou, mostrando-se entusiasmado com a receção: “Isto está a correr muito bem, porque cada iniciativa, cada apresentação que fazemos são precisas mais cadeiras e há mais gente em pé, porque não tem lugar”.

As palavras seguintes foi para agradecer a disponibilidade cívica da candidata, “uma mulher corajosa, numa freguesia que sempre foi difícil para os nossos ideiais; é clarividente, esclarecida, com um roteiro que é de nós todos, fê-lo com muito rigor e elegância”.

“Desta vez temos uma oportunidade fantástica, acho que vamos ter um resultado muito em Oliveirinha. Pela ‘fibra’ de Helena Graça, com o seu roteiro, mas porque do lado de lá passaram-se 20 anos e o tempo parou, nada de fez de relevante. Quero ser justo, já em São Jacinto falei na capela mortuária, também aqui fizeram, no terceiro mandato fizeram-na, e sendo justos, aplicaram o campo relvado sintético no ARCO, mas para 12 anos é muito pouco. Oliveirinha é mesmo a única freguesia que nem uma armazém tem, houve sintonia política, mas não houve capacidade de executar nada deveras importante”, criticou Alberto Souto, fazendo o contraponto com os seus próprios mandatos.

Governar sem olhar para a cor partidária das Juntas, ao contrário de outros

De “cabeça erguida” pela obra em outros mandatos, o candidato garantiu que a ser eleito continuará a não olhar para as ‘cores partidárias’: “Trabalhámos bem, e era uma Junta de outra sensibilidade, não descriminámos as Juntas em função das cores políticas, como fazem outros presidentes, tratamos todas as Juntas por iguais, todas são merecedoras e credoras de investimento camarário e é isso que vamos continuar a fazer”, disse, lembrando o seu legado como o edifício sede da Junta, a escola e polivalente, o primeiro campo relvado que, notou, permanece sem balneários dignos, habitações sociais nas Quintãs e “ruas esburacadas” por uma boa causa (saneamento).

Reforçar a inclusão e coesão social é uma das preocupações da campanha do PS, que deseja acrescentar novas respostas sociais para complementar os “bons exemplos”  existentes. Assim como “boa rede de transportes e passeios adequados”. Necessidades que “vão merecer esse cuidado” também em Oliveirinha, onde se pretende rearborizar o largo da feira, para servir também de parque de convívio. A tradicional “boa comunidade escolar” da freguesia carece de escolas requalificadas, existindo dinheiro disponível, o que não aconteceu sem justificação “a não ser uma pequena guerrilha política entre o presidente da Junta e a Câmara”. Replicar os pequenos núcleos de habitação social, como em Quintãs, também é uma prioridade, apesar de depender de financiamento. “Temos de acabar com as barracas”, afirmou.

Apresentação da candidatura do PS em Oliveirinha.

Liderança mais democrática e próxima da população 

Helena Graça, candidata à Junta, comprometeu-se com uma gestão da freguesia “em que nenhum lugar deve ser esquecido” e a “não repetir na freguesia o que o município fez durante 12 anos: obras realizadas e deixadas ao abandonado, parques de lazer e desporto sem manutenção, parques de merendas degradados, e mais recentemente, uma prioridade mal definida, a casa mortuária”.

“Precisamos de melhor visão, melhor planeamento, melhor gestão e manutenção dos espaços público. Só se faz envolvendo os cidadãos, as organizações locais, as associações e estas decisões relevantes têm de ser tomadas numa verdadeira democracia participativa, com assembleias regulares”, disse.

“Sermos mais arrojados, especialmente nas políticas sociais”, é outra das promessas para a tornar a freguesia “mais coesa e feliz, em que não precisamos de grandes investimentos, mas de proximidade”, acrescentou, numa crítica implícita à liderança da Junta, que tem sido ocupada por Firmino Ferreira, atualmente também deputado na Assembleia da República.

A candidata propõe criar “atalhos para a ajuda chegar rápido” a quem precisa, por exemplo na integração de imigrantes residentes na freguesia, incluindo ensino de português e alojamento temporário “em parceria com empregadores”.

“Transportes públicos adequados e pontuais, uma vez que há quem espere duas horas”, reclamou, também, Helena Graça, com abrigos que “são uma vergonha, não podemos dizer que não é connosco, com a Junta, é com todos”.

A escola é assumida como um dos centros da freguesia, a ‘Castro Matoso’ reivindica há 12 anos uma requalificação, “como todas as outras”, alertou, lamentando que a freguesia não tenha merecido junto da Câmara as consequentes ações. “Há 20 anos que o PSD diz que vai interceder pela escola”, acusou. “A cultura e o património ? Uma desgraça. A nossa história, está tudo a cair por aí”, acrescentou.

Uma ciclovia “pode ser arrojado mas vamos fazer”, arriscou Helena Graça em jeito de desafio, reclamando “mudança e um futuro diferente após anos de estagnação pelo PSD”.

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