Apoio a idosos.

A esperança de vida em Portugal ronda hoje os 85 anos, quando há relativamente pouco tempo era de 65. Dos 20 anos adicionais, em média, apenas oito a nove são vividos com saúde plena. Ou seja, mais de metade dos anos ganhos correm o risco de ser vividos com dependência(s), limitação funcional ou doença crónica.

Por Nuno Reis *

Num Voz das Misericórdias próximo ao Dia Internacional da Pessoa Idosa, os desafios do envelhecimento merecem
maior atenção.

Segundo as projeções do INE para 2050, a nossa população em idade ativa – entre os 15 e os 64 anos – descerá abaixo dos 6 milhões de pessoas por volta de 2041, e continuará a encolher na década seguinte. Significa que o número de pessoas idosas residentes atingirá o seu valor mais elevado precisamente no início da década de 2050, rondando ou ultrapassando os 3 milhões de pessoas. E que o índice de envelhecimento continuará a subir de forma acentuada até 2060, ano a partir do qual as projeções mais recentes apontam para uma estabilização – mas só depois de atingir valores muito superiores aos atuais.

Teremos, pois, menos gente em idade ativa a sustentar um número substancialmente maior de pessoas idosas. Este não é um cenário longínquo e abstrato: é o horizonte de planeamento em que temos de organizar, desde já, a resposta em saúde e em reabilitação.

Cientes de que a melhor reabilitação é aquela que se torna desnecessária, atuar a montante da perda de função tem de ser prioridade. Por exemplo, apostando na atividade física ao longo de toda a vida, e não apenas quando já surgiram as primeiras limitações. Sabe-se
hoje, com evidência sólida, que o exercício regular – treino de força muscular, de equilíbrio e de resistência cardiorrespiratória – é provavelmente a intervenção isolada mais eficaz para preservar a autonomia na velhice.

Não é um luxo, é, literalmente, medicina preventiva. Investir de forma sistemática no rastreio precoce do risco de queda é outro caminho a percorrer, assim como combater o sedentarismo e o isolamento social e capacitar as próprias pessoas idosas e quem delas
cuida com melhor literacia em saúde. Com um trabalho multidisciplinar e em várias vertentes, também as Misericórdias podem assumir aqui um papel decisivo.

* Editorial do jornal Voz das Misericórdias.

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