“Vagos, a Gente e a casa Bioclimática”

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“Vagos, a Gente e a casa Bioclimática”.

Claro que o concelho de Vagos recebeu influências e saberes da Gândara Mirôa vindos do sul…Do Atlântico e Além-Mar a poente…Da urbanidade de Aveiro e das Belas-Artes da Vista Alegre vindas do norte.

Por João Carlos Sarabando *

Neste primeiro volume da trilogia “Vagos Bioclimático”, tenta-se dissipar a “nuvem de poeira” que há décadas paira sobre a História do concelho de Vagos:

− Perceber que, por detrás da etnografia conivente que nos era vendido pelo Estado Novo, existiam no meu concelho – à data caluniada como o mais atrasado do distrito de Aveiro – todo um conjunto de saberes e feitos vanguardistas…

Saberes e feitos que certos arautos do regime, por má fé ou mera ignorância, ainda hoje tentam vestir de gandarês, esquecendo algo muito sério:

− O que na cultura gandaresa é sobrevivência, na cultura bioclimática é inteligência!

Claro que o concelho de Vagos recebeu influências e saberes da Gândara Mirôa vindos do sul…Do Atlântico e Além-Mar a poente…Da urbanidade de Aveiro e das Belas-Artes da Vista Alegre vindas do norte. De todos esses quadrantes o concelho de Vagos recebeu e assimilou valiosas influências e saberes. E que ao fim de algumas gerações sintetizou num somatório maior que as partes… Numa sociedade plural, politicamente pouco correta e de múltiplas capacidades:

− Vaguenses que tanto podiam ser agricultores como músicos!

− Barqueiros de matolas ou afamados cantores ao desafio!

− Maestros de Bandas Filarmónicas ou douradores requisitados pela rainha Dona Amélia para dourar tronos reais!

− Construtores/arquitetos de casas bioclimáticas, ou emigrantes/bordadeiras da primeira bandeira americana implantada na Lua!

− Mestres pintores ou escultores da Vista Alegre, ou construtores de moinhos de armação!

Sim, porque na “civilização bioclimática do concelho de Vagos” é tão importante a pequena “Bailarina de Ópera” esculpida em porcelana por Armando da Costa Grave em 1947, como um gigantesco “motor de vento” construído por José Bolais da Monica em 1912.

* Arquiteto, autor de “Vagos, a Gente e a casa Bioclimática”,

Dia 9 de Julho, sábado, pelas 17:00, o Largo da Biblioteca Municipal de Vagos recebe a apresentação da obra literária “Vagos, a Gente e a casa Bioclimática” do autor vaguense João Carlos Sarabando.

Este é um livro produzido ao abrigo da candidatura “Em nome do Espírito Santo”, que envolve, numa perspetiva de cultura em rede, os municípios de Alenquer, Torres Novas e Vagos. Nesta apresentação, para além do autor, irá estar presente o Presidente da Câmara Municipal de Vagos, Silvério Regalado e o Professor Romeu Vicente da Universidade de Aveiro. Além de explicitar as bases do “Bioclimatismo Vaguense”, o livro em título levanta questões e fundamenta afirmações ainda hoje incómodas para a cultura do dominante e provocatórias para a sociedade de consumo: Será que a primazia dada ao fossado Gandarês nas Terras de Vagos não terá passado de um “Cavalo de Troia” do Estado Novo para denegrir os princípios bioclimáticos da sua casa? E que os seus saberes (manifestamente antagónicos aos grandes negócios do consumo, energias e rendas do Estado), não terão transformado num alvo a abater por esse regime e pelo que lhe sucedeu? Sabemos que Portugal não construiu grandes catedrais góticas, porém, também sabemos que, como poucos países, é rico em igrejas românicas! Também o concelho de Vagos não erigiu grandes casas de senhores e ao Senhor, contudo, será difícil a qualquer município europeu igualá-lo em gentes e casas bioclimáticas.”

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