Um dia para matar saudades das esplanadas

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Praça 14 de Julho, Aveiro.
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Pelas 15:00 desta segunda-feira ainda se viam mesas de almoço por ‘levantar’ na esplanada de um restaurante na pedonal Rua Combatentes da Grande Guerra, a antiga ‘rua direita’, junto aos Paços de Concelho de Aveiro, sinal que estiveram por ali clientes até tarde.

Para quem ‘sobe’, um pouco mais adiante, na Praça Marquês de Pombal, uma imagem que não se via praticamente desde o início do ano: mesas um pouco mais distantes, mas repletas, obrigatoriamente em grupos de quatro pessoas, e empregados num ‘vai e vem’ constante.

Muita gente a aproveitar o sol, a maior parte em convívio, e sem mostrar receios pandémicos. “Passar do 8 para o 80 pode ser perigoso, realmente os mais jovens estão mais à vontade, mas o vírus não escolhe idade”, afirmava um sexagenário enquanto esperava com a esposa pela ‘bica’ pós almoço. “Mais um bocadinho a ler as gordas do jornal e depois retomamos o passeio, para casa, que isto está um bocado agitado. Talvez por ser o primeiro dia, andavam todos ansiosos”, acrescentou.

As medidas de desconfinamento decretadas pelo Governo permitiram retomar o serviço na esplanada e o sector ‘arregaçou as mangas’ sem estar condicionado ao postigo ou takeway, que eram as únicas forma de atender pedidos.

Ainda assim, alguns restaurantes, mesmo com boas esplanadas, como por exemplo junto do mercado Manuel Firmino, continuavam encerrados.

Já na praça 14 de julho não se perdeu tempo, acordando do adormecimento forçado aquela zona do bairro da Beira Mar que se tornou concorrida nos últimos anos.

Frutuoso Almeida, dono de uma casa de vender café paredes meias confessou já se tinha “desabituado” daquela agitação. “Embora prefira do meu, hoje tomei café de manhã na esplanada, com uns amigos que fizeram questão. É outra vista realmente”, brincou, acostumado que está a permanecer mais tempo dentro do balcão.

Na Avenida Lourenço Peixinho é mais difícil montar esplanadas. Numa casa de pernil e leitão assado, que improvisou algumas mesas no passeio, o funcionário confessou que o almoço não teve a procura dos dias de postigo e takeway. “Tivemos alguns clientes novos, mas não houve tanto trabalho. Faltaram as encomendas para fora, porque hoje abriram outras opções”, explicou.

Do outro lado, num dos cafés do edifício 2002, a dona do Milénio, Maria do Céu, contou que estava a ser “um dia cheio de sorrisos”, por força dos reencontros com quem ia ocupando as escassas mesas que tem no exterior. “Tem sido muito bom, esperamos que continue a melhorar. Precisamos de trabalhar. Sabemos que para já é o possível, mas é melhor do que nada”, referiu confiante.

Muito bem compostas estavam as esplanadas a caminho da entrada nascente do Fórum, assim como no cais do Cojo. Paulo Ramos, gerente do ‘Cais 3’, estava satisfeito por, finalmente, ter um dia a correr bem para o negócio. “Teve um efeito muito bom, as pessoas estavam desejosas para abrirmos no exterior”, contou o empresário, esperando que não haja retorno do confinamento. “Temos todos de ter os cuidados que nos exigem da DGS. Temos distanciamento suficiente. Muitas cautelas, porque dois meses e meio parados foi muito tempo”, disse ainda Paulo Ramos.

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