UA desenvolve pelicula bioplástica para embalagens inovadoras

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Projeto Biofoodpack, UA.
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Cientistas da Universidade de Aveiro (UA) colaboram num projeto europeia para criar um novo tipo de pelicula bioplástica “capaz de conduzir eletricidade para embalagem e conservação de alimentos”.

O material inovador, que poderá vir a ter ainda aplicação médica, está a ser desenvolvido por uma equipa de investigadores liderada pelo Instituto de Materiais de Aveiro (CICECO ), no âmbito do projeto europeu Biofoodpack.

Segundo informa a UA, em março será publicado um artigo sobre a preparação desta película no periódico científico “Composites Science and Technology”.

“Este material deve ser amigo do ambiente e permitir a eliminação, a baixa temperatura, dos microrganismos presentes nos alimentos, mantendo as caraterísticas originais destes – como o sabor, a textura e as propriedades nutritivas -, conservando os alimentos de forma duradoura”, explica a nota de imprensa.

A parceria inclui ainda empresas e instituições como a Sonae, a Energy Pulse Systems, a MKF-Ergis e instituições académicas (Universidade do Minho, Wrocław University of Science and Technology e Cyprus University of Technology).

“O ponto de partida é a quitosana, um polímero biodegradável extraído da casca de camarão, já conhecido na indústria farmacêutica e alimentar como suplemento diatético e espessante. Para conferir condutividade elétrica à quitosana, juntam-se partículas de carbono produzidas por uma nova metodologia, amiga do ambiente e compatível com os alimentos. Aos alimentos embalados com esta película é, depois, aplicado um campo elétrico de microssegundos que inibe os microrganismos”, adianta a UA.

As investigadoras do CICECO, Paula Ferreira e Cláudia Nunes, acompanhadas da aluna de doutoramento Ana Barra, procuram agora “determinar o valor de condutividade elétrica do material necessária para cada tipo de alimento; saber quais as caraterísticas ótimas dos alimentos para o efeito pretendido e durante quando tempo se mantém a ausência de microrganismos vivos dentro da embalagem.”

Para além do evidente interesse para indústria alimentar, perspetiva-se ainda a aplicação na área da medicina, nomeadadamente em emplastros embebidos com substâncias terapêuticas que, sob efeito de impulsos elétricos, libertam essas substâncias para o organismo em tratamento.