UA desenvolve pelicula bioplástica para embalagens inovadoras

430
Projeto Biofoodpack, UA.


Cientistas da Universidade de Aveiro (UA) colaboram num projeto europeia para criar um novo tipo de pelicula bioplástica “capaz de conduzir eletricidade para embalagem e conservação de alimentos”.

O material inovador, que poderá vir a ter ainda aplicação médica, está a ser desenvolvido por uma equipa de investigadores liderada pelo Instituto de Materiais de Aveiro (CICECO ), no âmbito do projeto europeu Biofoodpack.

Segundo informa a UA, em março será publicado um artigo sobre a preparação desta película no periódico científico “Composites Science and Technology”.

“Este material deve ser amigo do ambiente e permitir a eliminação, a baixa temperatura, dos microrganismos presentes nos alimentos, mantendo as caraterísticas originais destes – como o sabor, a textura e as propriedades nutritivas -, conservando os alimentos de forma duradoura”, explica a nota de imprensa.

A parceria inclui ainda empresas e instituições como a Sonae, a Energy Pulse Systems, a MKF-Ergis e instituições académicas (Universidade do Minho, Wrocław University of Science and Technology e Cyprus University of Technology).

“O ponto de partida é a quitosana, um polímero biodegradável extraído da casca de camarão, já conhecido na indústria farmacêutica e alimentar como suplemento diatético e espessante. Para conferir condutividade elétrica à quitosana, juntam-se partículas de carbono produzidas por uma nova metodologia, amiga do ambiente e compatível com os alimentos. Aos alimentos embalados com esta película é, depois, aplicado um campo elétrico de microssegundos que inibe os microrganismos”, adianta a UA.

As investigadoras do CICECO, Paula Ferreira e Cláudia Nunes, acompanhadas da aluna de doutoramento Ana Barra, procuram agora “determinar o valor de condutividade elétrica do material necessária para cada tipo de alimento; saber quais as caraterísticas ótimas dos alimentos para o efeito pretendido e durante quando tempo se mantém a ausência de microrganismos vivos dentro da embalagem.”

Para além do evidente interesse para indústria alimentar, perspetiva-se ainda a aplicação na área da medicina, nomeadadamente em emplastros embebidos com substâncias terapêuticas que, sob efeito de impulsos elétricos, libertam essas substâncias para o organismo em tratamento.