
O turismo tem sido, sobretudo nos últimos anos, um dos principais motores da economia, contribuindo de forma muito expressiva para a criação de emprego, aumento das receitas, geração de riqueza e dinamização dos territórios.
Por Paulo Costa *
Contudo, o setor enfrenta um novo ciclo, marcado por profundas transformações tecnológicas, políticas, sociais e ambientais, que, seguramente, irão moldar a atividade nos próximos anos e que obrigarão à adaptação da oferta, sobretudo no que respeita às competências dos atuais e futuros profissionais.
Estudos recentes ajudam a compreender melhor as principais tendências que irão moldar o futuro do turismo. O relatório “The State of Tourism and Hospitality 2024”, publicado pela McKinsey & Company, destaca três grandes eixos: (i) revalorização das viagens domésticas e intrarregionais, que continuam a representar a maior fatia das despesas de viagem; (ii) transformação dos mercados emissores, com o rápido crescimento da Europa de Leste, Índia e Sudeste Asiático; e (iii) emergência de novos destinos que, através de estratégias inovadoras, poderão conquistar espaço ao lado dos destinos tradicionais.
Também a Confederação do Turismo de Portugal aponta tendências relevantes: a transição do turismo tradicional para formatos inovadores e de nicho; o crescente poder dos viajantes, impulsionado pela tecnologia; o reforço da sustentabilidade e da responsabilidade social; e o impacto da ascensão da classe média asiática na dinâmica global do setor.
Por esta razão, e olhando aos desafios que estas tendências significam para o turismo, o investimento nas competências das pessoas que o fazem acontecer revela-se um fator essencial para a consolidação da competitividade da atividade turística nos próximos anos.
De acordo com o “Estudo do Mercado de Trabalho para o Sector do Turismo”, elaborado pela Universidade de Aveiro em 2023, a formação contínua deve ser uma prioridade transversal, capaz de chegar a todos os trabalhadores. A inovação tecnológica é apontada como um fator-chave de capacitação e de fidelização de talentos, potenciando simultaneamente a produtividade e a qualidade da oferta turística.
O relatório da OCDE “Tourism Trends and Policies 2024” reforça esta visão, ao destacar três desafios centrais: atrair e reter trabalhadores qualificados; adaptar-se à evolução das expectativas profissionais; e aproveitar as transições ecológica e digital. Entre as medidas propostas, destacam-se a promoção da adoção tecnológica para aliviar pressões sobre a mão de obra, o alinhamento entre formação e necessidades reais do setor e a criação de pontes mais eficazes entre empresas, entidades públicas e formadores.
No que diz respeito às competências dos profissionais, o estudo “Defining the skills citizens will need in the future world of work”, publicado em 2021 pela McKinsey & Company, identifica 56 elementos distintivos, agregados em 13 grupos de competências, repartidas em 4 grandes categorias: Cognitiva (Pensamento Crítico, Planeamento e Métodos de Trabalho, Comunicação, Flexibilidade Mental), Interpessoal (Sistemas de Monitorização, Estabelecimento de Relacionamentos, Eficácia no Local de Trabalho), Autonomia (Realização de Objetivos, Empreendedorismo, Autoconhecimento e Autogestão) e Digital (Fluência Digital e Cidadania, Compreender os Sistemas Digitais, Utilização e Desenvolvimento de Software). Estas competências estão associadas à maior empregabilidade e maior rendimento e satisfação profissional.
No caso particular do turismo, o projeto europeu “PANTOUR: Pact for Next Tourism Generation Skills”, identifica dez competências futuras dos profissionais do setor: Gestor de Sustentabilidade; Especialista em Turismo de IA; Especialista em Turismo Inclusivo; Especialista em Gastronomia Sustentável; Especialista em Marketing Turístico Digital; Especialista em Turismo Urbano/Rural; Designer de Experiências Turísticas; e Curador de Experiências Locais.
Estas novas funções e profissões traduzem, de uma forma clara, o cruzamento entre tecnologia, sustentabilidade e autenticidade, três macrotendências que irão redefinir o setor nos próximos anos.
O turismo continuará, sem dúvida, a ser um pilar estratégico das economias. Mas o seu sucesso dependerá, mais do que nunca, da capacidade de atrair, formar e valorizar pessoas preparadas para um mundo em mudança.
Apostar nas competências é, portanto, investir no futuro do turismo, um futuro que será tanto mais promissor quanto mais qualificados forem os seus protagonistas.
* PhD, Investigador e docente no Ensino Superior Partner NCL Tourism Consulting | TLH Tourism Learning Hub. Artigo publicado originalmente no site Publituris.
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