Sustentabilidade é uma noção de equilíbrio

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“Evento com Bom Ambiente”.

É tempo de agir, transformar as organizações, as sociedades e o mundo e torná-los mais sustentáveis. Este é o momento certo, não apenas porque vamos a meio da agenda de 2030 e temos apenas oito anos para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), mas também porque o mundo está mais ligado do que nunca e tem ganhado consciência da necessidade de mudança.

Por Ricardo Zózimo *

Agora, forçosamente, temos de agir como um só. Hoje já temos dados sobre tudo o que tentámos fazer para alterar a trajetória rumo a uma sociedade mais sustentável, sabemos o que resultou e o que é necessário alterar.

Ainda há um longo caminho a percorrer, mas o que trilhámos até agora nunca tinha sido palmilhado. De todo este percurso, destaco três pontos positivos:

– Mudanças feitas ao nível das finanças sustentáveis – a forma como os governos, as empresas e os países financiam está a mudar radicalmente e a obrigar que estes três grandes atores tenham políticas e práticas mais sustentáveis, o que vai obrigar o mundo a tornar-se mais sustentável. Esta é uma transformação que já não tem retorno.

– As empresas assumiram para si próprias um papel de atores principais para a sustentabilidade – um fator crucial para a mudança, porque têm horizontes mais curtos, conhecimento, recursos e ferramentas à disposição que muitas vezes os próprios governos não têm. E, se estivermos a falar de multinacionais, a sua ação vai repercutir-se em diversas geografias.

– Há uma tempestade perfeita em relação às mudanças que são exigidas de cada um de nós individualmente, nos núcleos familiares a que cada um pertence, ao nível do bairro, da empresa, do distrito, do país, que estão muito a ser lideradas pela nova geração. É ela que vai impedir que algumas práticas sejam repetidas, o que também nos dá um sinal de esperança.

É importante referir que a sustentabilidade não é uma medida de impacto, nem KPI que mede um determinado progresso em relação a uma métrica. É, sobretudo, uma noção de equilíbrio, entre as dimensões social, económica e ambiental. Talvez não consigamos atingir os 17 ODS, mas acredito que atingiremos grande parte deles.

Portugal tem objetivos de desenvolvimento sustentável publicados pelo INE que podem servir de base para as empresas se concentrarem nos problemas a resolver e consigam realmente focar-se no desenvolvimento social, económico e ambiental do país.

Para tal as empresas têm um papel a desempenhar, que se materializa num triângulo de ação: a governança, a transformação de produtos e serviços e a liderança.

A primeira é a mais fácil de mudar, porque alterar infraestruturas para torná-las mais sustentáveis tem sido um processo relativamente simples. A segunda ação é mais complexa, porque a alteração de produtos pode encarecer o processo de produção e fazer com que saiam do mercado. Deve-se, portanto, apostar na evolução e não na transformação total, apesar de este poder ser um caminho mais lento.

A última dimensão trata-se de uma grande oportunidade para as empresas, porque, além das lideranças formais – quem é responsável pelas áreas da sustentabilidade – podem criar-se lideranças informais, que tipicamente são aqueles que vão de bicicleta para o trabalho, quem envia artigos sustentáveis para o grupo do WhatsApp, que na cantina tem atenção à proveniência dos produtos que come. A integração destes colaboradores no movimento pode, sem dúvida, acelerar o movimento da organização.

Por último, um dos grandes aceleradores é, indubitavelmente, a educação, porque a partilha de casos, modelos e ferramentas ajuda a criar um novo mindset e algo que fará toda a diferença: a capacidade de mobilização coletiva.

* Professor Auxiliar & Investigador em Management and Organizations na Nova SBE.

Este artigo foi publicado na edição de outono da revista Líder. Subscreva aqui.

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