Fotografia escolar com o Professor Calado, Aveiro.

Joaquim de Oliveira Calado nasceu a 15 de Dezembro de 1911, em Estarreja, numa família de origem modesta, tendo estudado no Liceu de Aveiro e na Escola Normal do Porto, onde completou o Curso do Magistério Primário.

Por Fernando Ferreira Dias *

Como todos, fez o calvário das colocações em todo o distrito desde Arões, na serra da Freita, até finalmente Aveiro. Viveu numa época de muita pobreza, pois as crianças eram mal alimentadas e iam muitas vezes para a escola com fome.

Sensível a este flagelo tentou ajudar e sendo professor em Avanca, conseguiu que a fábrica da Nestlé local servisse gratuitamente, a meio da manhã, uma refeição a todas as crianças com os produtos que fabricava, os quais pelo custo não estavam ao alcance destes, e ainda conseguiu ter almoço gratuito para os mais necessitados.

Sendo amigo do Professor Egas Moniz, colaborou a seu pedido na organização da biblioteca pessoal do Prémio Nobel.

Há um lado musical menos conhecido do Professor Calado: O pai foi regente das bandas de Salreu, Oliveira do Bairro, Angeja, Pardilhó e Canelas. Fundou a Banda Visconde de Salreu e criou o Orfeão de Estarreja, tendo influenciado o despertar do filho para a música, levando-o a tocar violoncelo.

Em jovem, nas férias, para ganhar algum dinheiro extra, integrou a orquestra do Grande Hotel de Vidago. Estudante na Cidade Invicta tocou em vários cafés que tinham pequenas orquestras de câmara, como era usual na altura. Já em Aveiro não deixou de dar o seu contributo como violoncelista em ocasiões especiais tais como no 1º centenário do Liceu de Aveiro, promovido pelo Reitor de então, José Tavares, e nas reposições das revistas populares do Galitos: o “Cantar do Galo” e o “Escabeche e Piri-Piri”, no Teatro Aveirense.

Sobre o grande profissionalismo e dedicação com que exerceu a profissão de ensinar, atesto eu, pois foi meu professor primário na Escola do Adro numa altura em que as condições de trabalho eram difíceis e a remuneração dum professor era injustamente pequena. Para além da atividade docente na Escola, juntamente com a sua esposa, deu explicações em casa a muitos alunos do liceu, o que só foi possível graças à notável bagagem de conhecimento que possuíam.

Não se sabe quantos alunos passaram pelos bancos da escola e pela sua casa, tendo-o como mestre, mas eu sei que largas centenas deles são hoje gente importante na política, economia, saúde, direito e no mundo do trabalho mais geral.

Faleceu em Aveiro, no dia 23 de Fevereiro de 1995, quando se pensava fazer uma justa homenagem pública.

Fica aqui um pequeno tributo a um “Grande Professor Primário de Aveiro”.

* Série de publicações ‘Personagens que fazem Aveiro’. Artigo publicado em Aveiro na História.

Siga o canal NotíciasdeAveiro.pt no WhatsApp.

Publicidade e donativos

Está a ler um artigo sem acesso pago. Pode ajudar o jornal online NotíciasdeAveiro.pt. Siga o link para fazer um donativo. Pode, também, usar transferência bancária, bem como ativar rapidamente campanhas promocionais (mais informações aqui).