
O investimento, quando bem realizado, proporciona retorno. O retorno não tem de ser exclusivamente tangível ou em valor monetário direto se se tratar de investimento público, mas sim em bem-estar social das populações, melhores condições de vida e mais desenvolvimento. É criação de valor.
Por Fernando Almeida Santos *
A produção de riqueza cria oportunidades às pessoas e às organizações, sejam elas do Estado ou privadas. No caso das pessoas, há uma maior empregabilidade, maiores probabilidades de promoção nas carreiras, melhores salários e emancipação de talento, juntando a todas estas condições o aparecimento de novas lideranças nas organizações com capacidade de decisão e realização.
Para que a criação de valor aconteça tem de existir investimento. Para que haja investimento, há que tomar decisões. E após essas decisões, há que ter dinâmicas de realização.
Portugal assiste, desde há longo tempo, a uma incapacidade de decisão anacrónica e pouco normal que se traduz numa inércia de realizações que impacta diretamente na capacidade de produção de riqueza nacional.
Quanto custa a Portugal o “não fazer”? Quanto custa a Portugal o “não decidir”? Seja nunca, seja por atrasos ou tardiamente, a fatura é indubitavelmente muito maior do que se se tivesse decidido ou realizado.
Somos um País médio em número de habitantes e dimensão territorial no contexto europeu, com uma longa história e legado dos nossos antepassados, projetada além-fronteiras e com um lastro de realizações que não só nos fazem conhecidos internacionalmente, como nos confere a responsabilidade de saber utilizar essas capacidades inatas, diga-se TALENTO, ao serviço de nós próprios. O Talento na Engenharia é fator de desenvolvimento, por si só. Um recurso estratégico nacional que devemos ter o cuidado de preservar para que, com isso, possamos desenvolver o nosso País através do “fazer” e suportado em boas decisões de investimento.
Muitas políticas (ou falta delas) levam à escassez de engenheiros em Portugal. Para além das questões demográficas, há várias outras causas que provocam esta consequência: a falta de investimento; a falta de decisão; a falta de capacidade de realização; a falta de condições atrativas para frequência de cursos de engenharias tradicionais ou a falta de atratividade da profissão (mormente na carreira pública); a falta de salvaguarda do interesse nacional, promovendo-se a vinda de capacidade não produtiva de riqueza e retirando das lideranças técnicas os engenheiros portugueses; a falta de diplomacia económica e o fomento da internacionalização da Engenharia portuguesa.
Talento gera talento e Portugal tem essa capacidade. Haja também capacidade de decidir, realizar, investir e criar riqueza e valor. É falso apregoar que investimento é despesismo. A primeira gera desenvolvimento, a segunda gera estagnação. É o custo do “não fazer”. Qual é o preço de Portugal “não fazer” desde o início do século XXI? Certamente que com esse cálculo realizado perceberíamos, entre muitos outros fatores, que o nosso distanciamento económico face à média da União Europeia e a dificuldade face à respetiva convergência europeia estaria fortemente mitigada. Portugal é quem ganha!
* Editorial da revista INGENIUM.
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