
As emoções e os contextos sociais influenciam a forma como pensamos e agimos. Costuma falar-se em emoções positivas e negativas, mas a verdade é que não existem emoções “boas” ou “más”. O que varia é o quanto são agradáveis ou desafiantes de sentir. A boa notícia é que podemos aprender a reconhecer e a lidar melhor com elas, e isto ajuda-nos a agir de forma mais consciente e equilibrada.
Por Suliane Porto *
O século XXI é marcado pela complexidade, pelo dinamismo e pela incerteza, fatores que intensificam as emoções que sentimos. Neste cenário, torna-se comum surgirem emoções menos agradáveis como o medo, a ansiedade, a tristeza ou a raiva. Quando não reguladas, estas emoções podem paralisar-nos, afetar a capacidade de análise ou levar a decisões impulsivas com consequências sérias.
Durante muito tempo, as emoções foram vistas como algo secundário ou até como obstáculos a serem controlados pela razão. Hoje sabemos que, para alcançar bons resultados nas diferentes áreas da vida, não basta apenas investir em competências cognitivas, como o raciocínio lógico ou a capacidade de leitura e escrita. É igualmente importante desenvolver competências socioemocionais como a autoconsciência, a autorregulação emocional, a consciência social, as competências relacionais e a tomada de decisão responsável.
Aprender a cuidar de si e dos outros é um processo contínuo. Embora seja recomendável começar cedo, nunca é tarde para aprender. As competências socioemocionais podem ser desenvolvidas ou aperfeiçoadas em qualquer fase da vida. Também os adultos podem redescobrir novas formas de lidar com o stress, fortalecer o pensamento crítico e construir relações mais empáticas.
Devido a sua relevância, diversos países têm investido em políticas educativas e em reformulações curriculares que visam contemplar o desenvolvimento das competências socioemocionais em crianças e jovens. Em Portugal, estas competências estão presentes no documento “Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória (2017)” que orienta a formação de cidadãos autónomos, ativos e responsáveis.
Algumas iniciativas de promoção de competências socioemocionais já têm sido implementadas em escolas portuguesas. Quando estas competências são trabalhadas de forma integrada no currículo, observa-se que os alunos não apenas consolidam as aprendizagens académicas, como também desenvolvem ferramentas para enfrentar desafios pessoais e sociais.
Para que as iniciativas tenham maior impacto, é fundamental que os programas de desenvolvimento socioemocional não se restrinjam às escolas. Devem articular-se com outros espaços educativos e incluir a participação das famílias e comunidades. Assim, é possível ampliar a rede de atuação e criar condições mais sólidas para promover saúde mental, bem-estar e cidadania ao longo da vida.
* Centro de Investigação em Didática e Tecnologia na Formação de Formadores (CIDTFF) da Universidade de Aveiro. Artigo publicado originalmente no site UA.pt.
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