Apreensão de bivalves, GNR.

A Universidade de Aveiro (UA) anunciou que está a “validar”, em articulação com as autoridades nacionais, “soluções portáteis de despistagem em tempo real de amêijoas-japonesas vivas apanhadas em vários estuários, nomeadamente do rio Tejo, “para que possam ser retiradas do mercado e assim salvaguardar a saúde pública, incluindo de consumidores estrangeiros”, uma vez que a exportação tem grande relevância na atividade comercial associada.

A análise da composição química das conchas funciona como “ferramenta eficaz para identificar a sua origem geográfica e, com isso, combater a rotulagem fraudulenta e a pesca ilegal” nas épocas de defeso ou quando interdita devido a contaminação de biotoxinas, neste caso com riscos para a saúde pública.

A técnica desenvolvida na UA baseia-se na designada ‘impressão elementar’ das conchas, “uma assinatura química natural que reflete as condições ambientais onde as amêijoas cresceram”.

Um estudo de uma equipa de investigadores (Centro de Estudos do Ambiente e do Mar, Departamento de Biologia, ECOMARE e Departamento de Geociências) concluiu que “é possível identificar a época de colheita das amêijoas em cerca de dois terços dos casos analisados, uma informação particularmente útil para produtos congelados comercializados com concha.”

A rastreabilidade dos produtos do mar implicará, contudo, manter uma base de dados de referência atualizada, com novas amostras recolhidas a cada seis a 12 meses, “para garantir a fiabilidade dos modelos”.

A equipa de investigadores, cujo trabalho remonta há 10 anos, prepara já “um pacote tecnológico para transferência desta solução para uma grande empresa nacional do retalho alimentar, que pretende confirmar de forma rápida e precisa que a amêijoa japonesa que comercializa não foi capturada ilegalmente”. Em paralelo, decorrem colaborações com autoridades nacionais e internacionais, incluindo a Europol, para desenvolver soluções de “combate à pesca ilegal, não declarada e não regulamentada e a outras práticas fraudulentas que ameaçam a saúde pública e os ecossistemas marinhos.”

A UA prevê inaugurar em junho, o Centro de Inovação e Tecnologia em Aquacultura, junto do ECOMARE, na Gafanha da Nazaré, onde funcionará o Laboratório Nacional para a Rastreabilidade dos Produtos da Pesca e da Aquicultura que será de referência europeia, num investimento superior a três milhões de euros.

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