Pelos caminhos do Parque Molinológico e do Castro de Ul

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Parque Temático Molinológico.

O Parque Temático Molinológico de Ul e o castro de Ul, no concelho de Oliveira de Azeméis, são os destinos centrais deste roteiro, em formato circular, que tem partida e chegada no largo da Igreja Matriz de Ul. Uma sugestão quando se aproximam os dias de “Há Festa na Aldeia”.

Por Cardoso Ferreira | [email protected]

Neste largo, e de costas para a Igreja Matriz de Ul, optamos pela rua em frente ligeiramente à esquerda, para se iniciar uma descida, bastante acentuada, que curva para a direita. Aqui é um bom local para se ter uma panorâmica geral do Núcleo de Moinhos da Ponte da Igreja, que acolhe o núcleo museológico do Parque Temático Molinológico.

No final da descida, vira-se à esquerda, para se cruzar o rio Ul. O lado direito da ponte, encontram-se dois conjuntos de moinhos, um em cada margem do rio. No final da ponte surge, do lado direito, uma estrada onde, alguns metros mais adiante, se encontra um conjunto de moinhos que, para além de recuperados para as suas funções de moagem, são o Centro de Provas Gastronómicas, ligado ao pão de Ul e ao descasque de arroz.

De regresso à ponte, o itinerário segue para o vizinho Núcleo de Moinhos da Ponte da Igreja, sede do Parque Temático Molinológico.

Núcleo de Moinhos da Ponte da Igreja

No primeiro edifício deste conjunto o visitante tem à sua disposição um pequeno centro interpretativo do Parque Molinológico de Ul que ocupa uma área com cerca de 29 hectares, distribuídos por três freguesias do concelho de Oliveira de Azeméis: Ul, Travanca e Loureiro.

Dos muitos moinhos de água existentes nesta área, já foram recuperados uma dezena e meia, repartidos por quatro núcleos: Núcleo de Moinhos da Ponte da Igreja, Núcleo de Moinhos da Azevinheira, Núcleo de Moinhos da Ponte do Castro e Núcleo de Moinhos da Ponte dos Dois Rios.

Depois da visita ao centro interpretativo, junto ao qual há instalações sanitárias, desce-se para as traseiras, para se apreciar o açude, as condutas de água e os respetivos rodízios, alguns dos quais ainda moem milho, trigo e centeio, como se pode ver no núcleo museológico, no piso superior.

Num outro edifício está o espaço museológico que evoca a vivência dos moleiros, a construção e manutenção dos moinhos. Entre estes edifícios e o rio há um bom e arborizado parque de merendas. De visita obrigatória é o espaço dedicado à confeção tradicional das famosas padas de Ul e das regueifas de canela, situado num outro edifício, junto às escadas que conduzem ao bar esplanada situada na parte da frente do núcleo de moinhos, local onde se pode adquirir pão acabado de fazer.

Este núcleo de moinhos está localizado no fundo de um vale, cortado pelo rio Ul, rodeado por densa vegetação, ainda que o eucalipto seja a espécie mais comum nas zonas altas e afastadas das margens do rio.

Novamente no largo fronteiro, dá-se início ao percurso pedestre “Rota dos Moleiros”, podendo-se optar por um itinerário mais próximo da margem direita do rio, ou por um trilho localizado a meia encosta.

A opção foi pelo primeiro, começando uma subida que, volvidas poucas dezenas de metros, permite uma panorâmica sobre o Núcleo de Moinhos da Ponte da Igreja. Mais ao longe, avista-se, no alto, a igreja matriz de Ul e o casario entre esta e o lugar do castro.

Mais próximo do trilho, lá em baixo, deparamos com as ruínas de um velho moinho, parte do qual está já em recuperação. Do lado oposto do rio, eleva-se a encosta arborizada, que se estende até à zona do castro.

Núcleo de Moinhos da Azevinheira

O percurso prossegue pela encosta direita do rio. Por aqui, a passagem do Ul é obstaculizada por rochedos e açudes, pelos quais as águas revoltas e esbranquiçadas correm rápidas e contrastam fortemente com o azul-esverdeado do rio.

Para além de inúmeras nascentes e de interessantes aglomerados rochosos, todo este percurso é ladeado por uma frondosa vegetação, bastante mais rica e diversificada quanto mais se aproxima das margens do rio, fazendo deste local um espaço de eleição para visitas de amantes de botânica.

São dezenas e dezenas de espécies de plantas, desde as rasteiras, como os morangos silvestres, até às árvores de maior ou menor porte, de que são exemplos os azevinhos que dão o nome ao Núcleo de Moinhos da Azevinheira.

Ainda antes de chegados a este núcleo de moinhos, o trilho passa junto ao acesso que conduz a um moinho, situado a algumas dezenas de metros, na margem do rio. Após mais um pequeno parque de merendas, chega-se a este núcleo de moinhos vocacionados para o descasque de arroz, constituído por três edifícios, dois dos quais recuperados por duas conhecidas marcas comerciais de arroz.

A “Rota dos Moleiros” prossegue mais uns quilómetros, até ao Núcleo de Moinhos da Ponte dos Dois Rios, próximo do local de confluência dos rios Ul e Antuã, seguindo depois pela margem esquerda do Antuã, até ao Núcleo de Moinhos da Ponte do Crasto, onde cruza o rio para regressar ao Núcleo de Moinhos da Ponte da Igreja, primeiro ao longo da margem direita do Antuã e depois pela margem esquerda do rio Ul, de modo a permitir a observação daqueles quatro núcleos de moinhos a partir da margem oposta.

No entanto, na Azevinheira optamos por regressar ao local de partida, percorrendo os cerca de seiscentos metros pelo trilho mais afastado da margem.

Castro e Núcleo de Moinhos da Ponte do Castro

Regressados ao largo fronteiro à sede do Parque Molinológico de Ul, cruzamos novamente a ponte, agora em sentido contrário, e logo no final desta optamos por um carreiro situado do lado direito, paralelo ao rio, até próximo de um parque de merendas, onde se vira à esquerda, subindo pela encosta arborizada até ao trilho que está assinalado com sendo a Rota do Castro. Este percurso inicial permite uma boa visão do Núcleo de Moinhos da Ponte da Igreja e da sua envolvente.

Depois de um pequeno troço na zona florestal, o trilho chega a um pequeno aglomerado urbano, seguindo depois por entre o casario até à zona arborizada do castro, situada no alto do monte, onde se localizam alguns vestígios desse antigo povoado pré-histórico posteriormente ocupado pelos romanos.

Neste momento, há dois locais já escavados, onde são visíveis vestígios de construções ancestrais, um localizado do lado direito junto ao caminho que circunda o monte, e outro num nível mais elevado, do lado esquerdo e mais afastado do caminho. Este ano, devido à não realização de trabalhos arqueológicos, o local está a ficar coberto por vegetação (fetos e silvas), o que dificulta a visita ao segundo núcleo de ruínas.

Após a visita ao Castro de Ul, podemos regressar ao pequeno aglomerado urbano ou então prosseguir pelo caminho que circunda o castro, passando para a encosta nascente, virada para o rio Antuã, que corre lá no fundo do vale, e onde se avista o Núcleo de Moinhos da Ponte do Castro.

As duas opções conduzem-nos novamente ao pequeno aglomerado urbano do castro. Aqui, toma-se a estrada que desce para o vale, até à ponte sobre o rio Antuã, junto ao qual, do lado esquerdo, se ergue o Núcleo de Moinhos da Ponte do Castro. Neste local, estamos novamente no trilho designado por Rota dos Moleiros.

Aqui, na parte mais baixa do vale, temos uma visão soberba das encostas do castro e da igreja matriz, esta um pouco mais afastada.
Subimos a estrada de regresso ao pequeno aglomerado urbano do castro, de onde prosseguimos em direção à Igreja Matriz de Ul, que se ergue no alto de um monte fronteiro. Pelo caminho, podemos adquirir o tradicional pão de Ul.

Chegados ao largo da igreja, e antes de regressar ao automóvel, há ainda a possibilidade de visitar este secular templo.

“Há Festa na Aldeia de Ul!”

Devido à situação pandémica da Covid, este ano o evento “Há Festa na Aldeia de Ul”, dinamizado pela Associação de Turismo de Aldeia (ATA) e apoiado pela Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, decorre em moldes diferentes dos habituais.

Assim, nos fins de semana de agosto e de setembro, há venda de artesanato, oficinas de pão de Ul (por inscrição), espetáculos musicais, visitas ao Parque Molinológico de Ul e animação diversa.

Para o dia 18 de setembro está agendada a inaugurada a exposição “Memória da Aldeia de Ul” e a apresentação de uma monografia sobre Ul.

Ul integra a rede “Aldeias de Portugal”, um projeto turístico e patrimonial dinamizado pela Associação de Turismo de Aldeia. Na região de Aveiro, e para além de Ul, também a aldeia de Vilarinho de S. Roque (Albergaria-a-Velha) integra essa rede, à qual está em fase de adesão Castanheira do Vouga (Águeda).

Mais informações:

Parque temático molinológico de Ul

https://www.facebook.com/moinhosptm/

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