Partilha de dados: uma questão de competitividade e de soberania

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Proteção de dados (arquivo).

Se não criarmos um espaço europeu de dados, gerido por nós e para nós, com regulamentação adequada e qualidade controlada, deixaremos aberta uma enorme lacuna.

Por Paulo Jorge Ferreira *

A economia de hoje baseia-se no conhecimento e em dados. Os dados rodeiam-nos, e devido à transição digital o seu volume tem crescido a um ritmo sem precedentes. A extração de valor dos dados cria oportunidades, cuja exploração pode por sua vez conduzir a mais dados. As ferramentas de análise alimentadas pelos dados têm impacto crescente nos processos de tomada de decisão e no mercado, local e globalmente.

Os dados são já pilares da economia, influenciando fortemente a forma como as empresas se posicionam e relacionam, e como nós consumimos e vivemos. Quanto maior a qualidade e quantidade de dados disponíveis, maior o potencial e as possibilidades das novas ferramentas. É por isto que a partilha de dados é hoje considerada essencial.

Há, contudo, obstáculos. É necessário vencer a relutância de organizações que ainda não sentem que partilhar multiplica oportunidades. É preciso garantir a segurança e integridade da informação. E obviamente é essencial estabelecer com toda a clareza relações de posse e de acesso, num ambiente descentralizado.

Ciente do seu atraso em termos de dados, a União Europeia está empenhada em criar um espaço europeu de dados, que estimule a sua partilha entre as empresas. No início deste ano, e na sequência da divulgação da Estratégia Europeia para os Dados, o Parlamento Europeu adotou um conjunto de propostas estratégicas neste sentido. E em maio passado Portugal aderiu à iniciativa Gaia-X.

Nem a Europa nem Portugal se podem atrasar na corrida. É uma questão de competitividade, sim, mas é também uma questão de soberania.

Se não criarmos um espaço europeu de dados, gerido por nós e para nós, com regulamentação adequada e qualidade controlada, deixaremos aberta uma enorme lacuna, que será certamente preenchida por iniciativa de terceiros – e teríamos prescindido da sua regulamentação, do seu controlo de qualidade, segurança ou integridade.

Avancemos nós. Ganha a Europa e ganha Portugal.

Vale a pena considerar.

* Reitor da Universidade de Aveiro. Artigo publicado no site UA.pt.

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