Imagem da Universidade de Aveiro.

A formação de doutores é uma missão essencial das universidades, e a Universidade de Aveiro (UA) tem desempenhado um papel de relevo em diversas áreas do conhecimento. Na área científica da Educação, em particular, a UA é uma das instituições de Ensino Superior portuguesas que mais contribuiu para a formação de quadros especializados, muitos dos quais passaram a integrar o corpo docente de outras universidades e institutos politécnicos portugueses.

Por Isabel P. Martins e João Ferreira-Santos *

A formação doutoral representa a convergência entre investigação rigorosa, compromisso ético e responsabilidade social. Mais do que a redação de uma tese, o doutoramento é um processo de aprofundamento e diálogo, que conduz a transformações individuais, coletivas e académicas.

No CIDTFF – Centro de Investigação em Didática e Tecnologia na Formação de Formadores da Universidade de Aveiro –, esta visão tem sido cultivada ao longo de mais de três décadas. A Genealogia Académica: Percurso Infográfico do CIDTFF, recentemente materializada através de uma exposição mural, dá corpo à memória coletiva da construção de uma teia de doutoramentos em gerações sucessivas, formando um ecossistema de conhecimento intergeracional.

A primeira doutora do CIDTFF foi a Professora Isabel Alarcão, no Reino Unido, em 1981. Desde então, multiplicaram-se os percursos, as gerações e os cruzamentos académicos. Em março de 2025, o número de doutores com raízes neste centro ultrapassava os 600 nomes, distribuídos por países da Europa, PALOP, América Latina e Timor-Leste, testemunhando o impacto científico, pedagógico e social da formação promovida.

Com foco na formação de formadores em Educação, os doutoramentos orientam-se para temas, campos e linhas de investigação específicos, que permitem compreender dimensões dos problemas educativos e, articuladamente, refletir e propor soluções para os desafios já identificados — e para aqueles que possam vir a emergir. Pensar soluções exige formação avançada, com conhecimento teórico sólido e inserção prática em contextos reais. O conhecimento científico gerado por um doutoramento constitui uma mais-valia que deve ser investida na resolução de problemas dos respetivos domínios científicos.

É o caso da área da Educação, que não pode prescindir da formação doutoral enquanto via para fortalecer a capacidade de resposta dos seus profissionais, num cenário em que os problemas educacionais se (re)configuram em ciclos temporais cada vez mais curtos.

Para a sua plena concretização, um doutoramento não se pode cingir apenas à elaboração de uma tese, como acontecia no passado, em processos frequentemente individuais e iniciados por convite. Após a Declaração de Bolonha (1999), a reorganização do ensino superior europeu levou à criação do 3.º ciclo com Programas Doutorais, disponibilizados pelas instituições de forma autónoma ou em parceria, oferecendo aos estudantes uma formação cultural mais alargada, desenvolvida em grupo e apoiada por especialistas nas respetivas áreas.

Para além da conceção e redação de uma tese original, fazer um doutoramento é adquirir competências e saberes mobilizáveis em contextos futuros — muitos dos quais ainda desconhecidos no presente.

Cada doutoramento é único, mas inscreve-se num movimento coletivo em constante renovação. Fazer um doutoramento é lançar raízes, abrir caminhos e desenvolver competências para formular novas perguntas. É compreender que o conhecimento tem valor quando circula, se partilha e transforma os contextos onde é mobilizado.

Ao celebrar 30 anos de existência, o CIDTFF reafirma que formar doutores é investir no futuro, nas relações que sustentam o saber e no potencial transformador da educação. Este percurso, apresentado num painel físico com 12 m², no Departamento de Educação e Psicologia da UA, será também disponibilizado em versão digital, assegurando o acesso aberto, a atualização contínua e a valorização da sua dimensão científica e patrimonial comum.

* Centro de Investigação em Didática e Tecnologia na Formação de Formadores (CIDTFF) da Universidade de Aveiro. Artigo publicado originalmente no site UA.pt.

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