
Na mesma tarde em que a coligação PSD-CDS-PPM exigiu o afastamento de Bruno Ferreira das funções enquanto membro do executivo da Junta da Glória e Vera Cruz, alegando aproveitamento eleitoral do mesmo, Alberto Souto, ainda sem conhecer a tomada de posição, mostrou-se satisfeito com o ‘andamento’ da campanha na união de freguesias da cidade.
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O ‘resgate’ do cabeça de lista, que integrou o elenco da maioria atual como tesoureiro, elevou as possibilidades do PS regressar à liderança da Junta. “É um candidato fantástico, toda a gente o conhece, foi uma grande escolha e vai ser um grande presidente”, referiu o candidato à Câmara. Ao final da tarde, já a par do comunicado da ‘Aliança Com Aveiro’, que também questiona a posição do cabeça de lista para a Junta sobre o controverso Plano de Pormenor do Cais do Paraíso, a candidatura socialista adiantou, através de uma porta-voz, que, “para já”, não haverá reação de qualquer das partes visadas.
Alberto Souto manteve o guião usado, primeiro a recordar ‘obra feita’ enquanto presidente. “Fizemos tanta coisa que nos orgulhámos, esquina a esquina, começando pelos canais, de uma ponta a hora, era um pivete, retirámos os esgotos”. O lago da Fonte Nova, os mercados (Praça do Peixe e Manuel Firmino), a Capitania, o Teatro Aveirense e a ‘Casa Major Pessoa’, “hoje sem nada dentro”, onde “tudo parou depois de lá sairmos, nem sei como o presidente da Câmara aceitou ser presidente da rede europeia Arte Nova com um museu vazio…”, ironizou, advogando que o espaço deve acolher espólio e tornar-se “um polo difusor da Arte Nova que exista na Região”. A ‘ponte do laço’, “símbolo” da requalificação da Beira Mar. A criação das Bugas que “agora precisam de nova vida, até com sensibilização a partir das escolas.”
“A promessa fica feita, vamos acabar com este engarrafamento” na Avenida Lourenço Peixinho
Alberto Souto ‘passou em revista’, também, os últimos mandatos. “Na lota fizeram zero, passaram-se 20 anos. Na habitação, fizeram zero deliberadamente, por razões de preconceito política, havendo dinheiro não se fizeram casas dignas para os aveirenses que precisam. Zonas verdes, exceto o parque Aventura nada mais”. O cabeça de lista aponta, ainda pela negativa, “o erro de projeto” da Avenida Lourenço Peixinho. “Temos de ter a arte e engenho para restituir a sua característica identitária, e sobretudo, a promessa fica feita, vamos acabar com este engarrafamento, é não por causa do túnel que construímos”, afirmou.
Sobre a candidatura do PSD-CDS-PPM, deteve-se em algumas propostas. “Querem agora criar um gabinete para resolver o problema da habitação, vão estudar, pronto”, disse, lembrando que não é só o quartel de Sá que pode ser usado, existem mais terrenos do Estado disponíveis, como junto do tribunal e o ex-centro de saúde mental. “Ainda bem que os nossos adversários começam a reconhecer que as melhores ideias são as nossas”.
“Também têm ideias muito fortes e altas, construir o monstrengo de 12 anos, i,fortíssimo disparate urbanístico, mas essa é uma ideia para demolir desde o primeiro momento que lá chegarmos”, reafirmou Alberto Souto, acusando a candidatura de Luís Souto de ter “uma mentalidade cultural de caterpillar” por ser “a favor da demolição da vivenda Aleluia e da casa da Cerciav. “Nós vamos expandir o conservatório sem necessidade de a demolir”, garantiu.
“Replantar árvores no Rossio e construir o parque das Barrocas” foram outros propósitos reafirmados. A “nova vida” prevista para a antiga lota, onde “o programa é massificar” será revista. “Não está em causa o estudo de arquitetura, mas contei cinco árvores onde devia ser cinco edifícios e muitas árvores, para Aveiro dar um exemplo de sustentabilidade ambiental”. “Na primeira semana, gentes da Beira Mar, vou abrir concurso público para o estacionamento subterrâneo da Maia Magalhães”. Segunda promessa assumida de viva voz, reforçando a necessidade da requalificação do bairro. O regresso do ‘Carnaval da Ria’ está, também, assumido para aproveitar “um cenário fantástico”.
Discurso direto

“No debate televisivo da RTP, que todos os aveirenses devem ver, quem tiver dúvidas em quem votar deixarão de as ter, o candidato da Aliança, confrontado com a aprovação do Plano de Pormenor do Cais do Paraíso, dizia que todas as construções relevantes são boas estejam onde estiverem, e a propósito das alterações climáticas, se o nível do mar subir, dizia, as pessoas nesse prédio com 12 andares podem sempre subir e ficarem protegidas. Nós não queremos lidar com o futuro da nossa cidade com base em garçolas, nós queremos olhar para o nosso concelho com muita seriedade e propostas muito concretas. Esta herança que não é boa e contrasta com o legado de Alberto Souto. Enquanto integrante da lista à Assembleia Municipal quero dizer que não foi nos últimos anos a casa dos aveirenses, foi o salão de festas onde um presidente de Câmara se pavoneou, disse garçolas e tratou com muito pouca elegância os deputados municipais de todas as bancadas. Tem de voltar a ser a casa de todos os aveirenses, onde podem manifestar a sua opinião. O atual presidente da Assembleia Municipal, candidato à Câmara, tem permitido um modo muito autoritário e pouco democrático, queremos garantir um novo regimento que favoreça a participação de todos os aveirenses. Sabemos que só vamos defender a democracia com mais qualificação” – Claudia Santos, candidata à Assembleia Municipal pelo PS.
Candidatura à Junta pede “uma forte parceria” com a Câmara
O cabeça de lista para a União de Freguesias começou por recordar que aceitou ser independente na maioria PSD-CDS-PPM depois de divergências em 2021 com a então liderança do PS. Entretanto, as “circunstâncias e a forma como foi conduzida” a sucessão de Fernando Marques decidiu avançar para a presidência com apoio do PS.
Bruno Ferreira afirma-se empenhado numa Junta de “proximidade e transparência, com clareza na gestão e rigor no uso dos dinheiros públicos”. “Cuidar das pessoas que mais precisam e valorização da associação” é outro dos compromissos. Cuidar do espaço público, com atenção à mobilidade e garantir uma freguesia inclusiva foram outras ações referidas para as quais deseja ter “uma forte parceria” com a Câmara.
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