Antigo edifício do jornal O Comércio do Porto / Alexandre Pereira | CMP, Arquivo Histórico Municipal do Porto.

Eram três. Estavam na secção a que ironicamente se chamava de “parolândia” – a que tratava do chamado noticiário regional. Quando as notícias de desgraças “caíam”, entravam em “êxtase”….

Os momentos de “orgasmo” tripartido começavam quando o Alcino do gravador despejava os primeiros “linguados” (folhas de papel onde se escreviam as notícias) com as desgraças do dia-a-dia (acidentes, mortos, crimes, etc) e “transformavam” aquela secção !

O “êxtase” acontecia quando um deles – o que tinha andado pelo Seminário, mas nunca chegara a… presbítero e falava “axim” – tinha que fazer uma sugestão de título para a primeira página para ser entregue ao chefe de redacção (que raramente a aceitava) dizia, alto e bom som, para todos ouvirem: “Que chatice, chinco mortos! Se fochem sheis dava cá um título!!!”.

Depois, havia a correria excitante – quase meia sala, estilo open space como agora se diz – até à secretária do chefe de redacção a avisar do número de mortos que iam “caindo” na secção, à medida que o Alcino do gravador atirava para a secretária as noticias trágicas – não fosse o chefe ser confrontado à ultima da hora, com tamanha mortandade e não desse o “merecido” destaque na primeira página…

O “êxtase” atingia o ponto de “orgasmo” tripartido , quando o telefone do chefe da secção tocava, e um correspondente, do outro lado do fio, fazia ouvir a sua voz, evocando direitos não cumpridos, por “aquela “notícia da inauguração do jardim, ou do fontenário, ainda não ter sido publicada.

Ouvida a reclamação com a “compreensão” possível, e não fosse o correspondente pensar (ou os outros colegas da Redacção ?!) que pouco ou nada se fazia ali, o telefonema acabava com… um crescendo paulatino de voz firme, ar compenetrado, acompanhado pelo simbólico levantar gradual do corpo do referido chefe da dita secção, até aí, comodamente refastelado na cadeira: “O meu amigo tem razão, a notícia não está esquecida, logo que tenhamos espaço publicamos. Mas temos tido muito trabalho…”.

A voz do chefe da “parolândia” , ecoava bem alta, a finalizar a conversa telefónica, acompanhada por um olhar abrangente da sala: “olhe/ meu amigo/ aqui /TRABALHA-SE!!!!”.
O tom do “TRABALHA-SE” e o olhar contemplativo de satisfação (!) que fazia em direcção da Redacção, era como acabasse de acontecer um…”orgasmo”. Tripartido, no caso!…

Jesus Zing

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