
Era um homem do mundo. E do teatro também. Porque o teatro faz parte do mundo. Corpo franzino e pequeno… era daquelas pessoas que se gosta de conhecer na inocência e nas manhas desta vida. Que nos enche de conhecimento.
Como todas as virtudes e defeitos, era aquilo a que se chama ‘Um senhor’. Com o mundo dentro de si.
Morreria, como sempre quis, no palco de um teatro, em pleno trabalho. No caso, no do desaparecido “Monumental” (hoje um centro comercial), na praça do Saldanha, em Lisboa, em 1975.
É considerado ainda hoje o mais mítico criador de figurinos para o teatro de revista à portuguesa. Assim, é habitualmente referenciado pelas suas criações para espetáculos no Parque Mayer e, também, para o Teatro Monumental, sem esquecer o Teatro Experimental de Cascais onde criou figurinos para peças de Shakespeare ou Ibsen. No “Dicionário do Teatro Português”, Luiz Francisco Rebello fala dele.
Conheci Pinto de Campos na década de 70 do século passado, numa ligeira passagem pelo teatro profissional em Cascais. Acabara de me ser apresentado por um grande amigo – Mário Viegas, na plateia do “Gil Vicente”, no intervalo de um ensaio.
Então você é de Aveiro?, perguntou. Respondi que sim e, enquanto acendia o seu inseparável cachimbo, respondeu: “Então conhece…? Sim, conheço, de vista. É uma das pessoas mais ricas da cidade, disse. “Então fique a saber que é amigo meu e do Raul Solnado. Foi ele que deu uma ajuda muito grande ao Solnado quando este quis criar o Teatro Villaret. Sorrimos os dois, e a conversa continuou….
Que me lembre, o nome do aveirense que deu a grande ajuda a Raul Solnado, nunca foi revelada publicamente pelo fundador do Villaret. Solnado referiu sempre a ajuda de amigos, sem avançar nomes. Mas o Carlos Fartura, homem também ligado ao teatro, um lisboeta hoje mais do que aveirense, um dia, quando lhe contei o episódio, sem citar nomes, comentou com um sorriso:” Talvez alguém ligado ao bacalhau e que gostava muito do Belenenses e, claro , do Beira”. Ao que acrescentei: “E com interesses na antiga Metalo-Mecânica”….
Acabámos num sorriso cúmplice!
Ah, era Baltazar Vilarinho!
Jesus Zing
(060326)
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