
As mortes recentes de dois aveirenses, são pequenos exemplos de como, por vezes, as notícias publicadas após o falecimento das pessoas passam ao lado do…mais importante. Lembramo-nos de Carlos Santos e de Diamantino Dias.
1.- Carlos Santos foi tão só o…Sr. Agrovouga. Foi o rosto público, durante mais de uma dezena de anos, de um esforço pioneiro colectivo de técnicos ligados à agricultura, caso, entre outros, dos engs. Manuel Pontes, José Gamelas ou dos drs. Jaime Rodrigues Machado, Francisco Barbado, ou de António José Valente.
Um esforço de alavancar os problemas do Baixo Vouga lagunar, ainda antes do 25 de Abril de 1974, com a realização da Feira Agrícola e Regional, em que o amadorismo organizativo tinha que dar o pulo em frente, para uma estrutura mais profissional que o certame exigia.
Carlos Santos, com o curso de Regente Agrícola, equiparado a engenheiro técnico agrário, após o 25 de Abril, no seu gabinete do primeiro andar do antigo Grémio da Lavoura, mais tarde sede da Cooperativa Agrícola de Aveiro e Ílhavo, foi o…Sr. Agrovouga. Mais de uma dezena de anos, num tempo em que o certame singrou e se impôs – a Feira Nacional do Bovino Leiteiro, é um exemplo disso – no panorama dos certames agropecuários do país.
Por certo que foi futebolista e dirigente no Beira-Mar, envolvido, “por amor” ao clube, em episódios “proibidos” do mundo do futebol – o sigilo sempre foi e continuará a ser respeitado – , na Associação de Futebol de Aveiro e na Federação Portuguesa de Futebol, militante e dirigente do PSD, em Aveiro.
Desfiliou-se anos mais tarde, do seu partido político de sempre, depois de ter sido candidato derrotado à presidência da Câmara de Aveiro (o célebre “Um Homem da Terra”), para onde acabou por entrar, como vice-presidente, na gestão de Élio Maia.
Estão vivas, para alguns, as reuniões “conspirativas” no interior do carro de Armando Vieira, estacionado na Av. Dr. Lourenço Peixinho, entre ele e o ex-presidente da Junta de Freguesia de Oliveirinha. E não foi director do porto de Aveiro, como chegou a ser noticiado e propalado nas redes sociais: foi, isso sim, delegado em Aveiro da Docapesca, a empresa que gere as lotas de venda do pescado, no país.
Carlos Santos, foi um bom homem, na acepção generalizada da palavra – amigo do seu amigo. Merece ser recordado como…o Sr. Agrovouga. Que o foi verdadeiramente!
2.- Diamantino Dias, jogador e treinador de andebol no Beira-Mar, chegou a dirigente do Clube dos Galitos, escreveu crónicas sobre Aveiro e suas vivências, foi o homem das Regatas de Moliceiro na Ria de Aveiro – o criador e impulsionador -, e do Concurso de Painéis de Moliceiros … e também um conversador em tertúlia de amigos, com uma grande pitada de humor, cultura e…memória.
Mas foi o…sr. Turismo. Não se pode falar de turismo em Aveiro, nas últimas dezenas de anos, sem falar em Diamantino Dias. Como diria o outro: para o bem ou para o mal! Para que não restem dúvidas: mais para o bem.
A sua vida profissional foi toda…Turismo. Desde quando entrou, como fiscal, para o posto de Turismo, ali na Av. Dr. Lourenço Peixinho, até aos últimos dias, na João Mendonça, onde foi o homem-sombra dos dirigentes da Rota da Luz – onde chegou ao cargo de vice-presidente -, passando pelo espaço que as instalações do Turismo ocuparam no rés do chão do edifício Fernando Távora, em frente aos Paços do Município.
Falamos da política de promoção turística de Aveiro e, mais tarde, da criação da Rota da Luz, em que o nome de Diamantino Dias, é obrigatório: lembre-se o grande esforço centrado no mercado espanhol, com presenças em diversas feiras nas cidades do país vizinho, com relevo para a “FITUR”, o grande certame de promoção turística que todos os anos acontece em Madrid. Sem esquecer o mercado português e francês.
Corria o ano de 1976, quando uma das coqueluches do espaço televisivo português –onde só havia dois canais – era os “Jogos sem Fronteiras”, que se realizavam em vários países da Europa, com equipas representativas de diversas cidades. Mais importante: os “Jogos” eram transmitidos nas televisões dessa Europa fora, com audiências significativas.
Uma montra de…promoção internacional, a custos baixos, que Diamantino Dias soube aproveitar e levar a ideia até Girão Pereira, então presidente da Câmara, que a agarrou com as duas mãos! Aveiro estaria presente nos “Jogos sem Fronteiras” que se realizaram em Saint Gaudens, França.
No movimento de criação da Rota da Luz, o nome de Diamantino Dias está lá. Coberto pelo poder político autárquico da altura, como não podia deixar de ser, que soube aproveitar as ideias e o esforço de Diamantino Dias, que calcorreou, com os políticos da altura, os caminhos das conversações com outros autarcas de municípios vizinhos.
Toda a vida, Diamantino Dias foi…o Sr. Turismo!
Jesus Zing
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