O ensino a distância poderá fazer da UA uma universidade do mundo

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Universidade de Aveiro, biblioteca.

O game changer nesta nova realidade é que a Universidade tem o potencial de estar diretamente em qualquer lugar do planeta. O Ensino a Distância poderá fazer da UA numa universidade do mundo, mas também em todo o mundo.

Por António Alves *

O contexto adverso que atualmente atravessamos transporta-nos para os cenários mais excecionais que a história já atravessou, onde a humanidade é testada ao limite, mas onde demonstramos a nossa extraordinária capacidade de adaptação e superação.

É da adversidade que, normalmente, surgem as grandes evoluções ou transformações da sociedade. Tal como todas as vertentes da sociedade, o Ensino Superior foi atingido por esta pandemia, numa situação ímpar, naturalmente, apanhado despre-venido e sem uma reflexão previa ou lições do passado. Enfrentamos uma situação limite.

Será esta uma oportunidade de nos reinventarmos? Eu penso que sim. E o Ensino a Distância pode ser uma resposta ao desafio. Até há uns meses, vivíamos numa normali-dade que, provavelmente, não vai voltar como a conhecíamos e numa Universidade que terá de se adaptar a essa nova normalidade. E muito já mudou. Assistimos, provavelmente, à mudança mais radical e rápida de toda a sua existência.

Uma Universidade das pessoas, num Campus que Sente, deu lugar a uma universidade fantasma, vazia, mas ao mesmo tempo tão cheia de outras coisas. Uma Universidade sediada no distrito de Aveiro, que já não se fechava em fronteiras, abriu-se efetivamente para o mundo, potenciado pela transição para o Ensino a Distância. E esse facto tem o potencial de mudar o modo como encaramos o Ensino Superior e as Instituições.

A Universidade de Aveiro já era uma Universidade aberta ao mundo, tendo claras estratégias, até em conjunto com os principais agentes da região, de internacionalização e atratividade para a população internacional. Inúmeros idiomas eram falados nos nossos campi, com mais de 2000 estudantes internacionais que escolheram a UA para o seu percurso académico.

No entanto, o game changer nesta nova realidade é que a Universidade tem o potencial de estar diretamente em qualquer lugar do planeta. O Ensino a Distância poderá fazer da UA numa universidade do mundo, mas também em todo o mundo. Mesmo tendo em conta que estamos num cenário excecional, isso já está a acontecer. Temos estudantes de norte a sul do país, do interior ou litoral, a ter as suas atividades letivas e o mesmo está a acontecer com os estudantes internacionais, nos quatro cantos do mundo.

A UA saiu oficialmente para além de Aveiro. Com a experiência que estamos a atravessar, ficou provado que a UA está apta para dar este passo. Obviamente que ainda há muitos desafios, principalmente, ao nível dos modelos pedagógicos adaptados ao Ensino a Distância, mas estou convicto que o trabalho que está a ser desenvolvido está virado para o futuro e não pode vir a ficar fechado numa gaveta.

A distância física pode deixar de ser uma barreira para o conhecimento de ponta, mas também para outros desafios de formação mais completa e alargada, curricular ou extracurricular, bem como para a formação ao longo da vida, podendo ser uma área de desenvolvimento futuro, na Universidade de Aveiro, com recurso ao Ensino a Distância.

Por outro lado, não podemos ignorar a premente adaptação da orgânica da Universidade a este mode-lo, nomeadamente, através dos seus serviços e processos. A digitalização já era urgente, mas parece-me ter ganho toda uma outra dimensão e importância no contexto atual.

Como uma Universidade tecnológica e de inovação, temos a obrigação e a necessidade de avançar nesse caminho. Parece-me um fenómeno extraordinário, imposto pela atual pandemia, que nos conduziu para um futuro que já chegou. Apesar de tudo, não percamos a maior riqueza da UA, diferenciadora de qualquer outra Instituição de Ensino Superior em Portugal, a vivência nos seus Campi, a sua comunidade e a proximidade nas suas relações.

Sempre nos distinguimos por isso, presencialmente ou à distância, essa terá de ser sempre uma marca da nossa Universidade e merece uma reflexão profunda. Como referi inicialmente, é da adversidade que surgem as grandes evoluções. A Universidade de Aveiro está a transformar-se.

António Alves , presidente da AAUAv.

* Presidente da Associação Académica da Universidade de Aveiro. Artigo publicamente originalmente na revista ‘Linhas’ (nº33).

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