Associação Social para Idosos com Vida (ASIV) .

Estas foram palavras do Presidente da República, a 24 de setembro, em reunião com o Papa Leão XIV.

Por Maria do Rosário Gama *

Semanalmente temos vindo a assistir a uma variação no preço dos combustíveis, a maior parte das vezes, ao aumento do preço. Na semana em que os preços descem, o valor da descida é sempre inferior ao das subidas, o que se traduz num aumento real com um efeito muito mais amplo do que o simples aumento da despesa de quem tem automóvel e precisa de o usar. Ele funciona como uma espécie de “imposto indireto” sobre o custo de vida, porque o petróleo e os combustíveis entram direta ou indiretamente em muitos bens e serviços atingindo mesmo quem não usa automóvel: pesa no preço dos alimentos, nos transportes, nos serviços e, em última análise, no orçamento familiar.

Para uma pessoa pensionista, sobretudo com uma pensão baixa, o problema é ainda maior: não tem grande margem para substituir despesas essenciais. E quando o combustível fica mais caro, muitas vezes não é apenas o consumo que reduz, é a própria liberdade de se deslocar, de ir ao médico, de visitar a família e de participar em actividades sociais. O efeito sobre a inflação já está a ser muito claro: segundo o INE, em agosto de 2026, a inflação homóloga em Portugal foi de 3,3%, mais 0,3 pontos percentuais do que em julho.

Tendo o aumento máximo das pensões sido 2,8%, a vida dos pensionistas tem-se agravado, com a perda de poder de compra a ser sentida de forma muito mais intensa, não só por quem tem baixas pensões, mas pelos pensionistas em geral. “Em 2026, uma pensão de 800 euros foi aumentada em 22,40 euros. Mas, perante uma inflação homóloga de 3,3%, seriam necessários 26,40 euros apenas para acompanhar a evolução média dos preços. A diferença é de 4 euros por mês. Parece pouco. Mas quando falamos de pensionistas com baixos rendimentos, cada euro conta.

E, além disso, a inflação não atinge todas as despesas da mesma maneira: os produtos energéticos aumentaram 12,2%. Por isso, o que importa não é apenas saber quanto aumentou a pensão, mas saber quanto aumentou aquilo que o pensionista precisa de comprar” (resposta da IA). E não é o anunciado bónus a pagar em dezembro a pensionistas com pensões até 1611,39 € que resolve as carências cada vez maiores da população em geral e dos pensionistas em particular. Também a descida do IRS como medida para aliviar o orçamento das famílias é enganadora, uma vez que cerca de 2,4 milhões de famílias portuguesas (42% dos agregados familiares) encontram-se isentas de pagar IRS, o que significa que o benefício não abrange quem mais precisa! Na primavera de 2027, os contribuintes terão os acertos ou através de menos reembolso ou através de pagamentos que até aí não seriam necessários.

O custo de vida aumenta, o povo não aguenta… A APRe! não se deixará iludir e não se calará!

* APRe – Associação de Aposentados, Pensionistas e Reformados.

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