Foto divulgada em https://florestas.pt.

No dia 12 de abril assinalou-se o Dia Nacional do Ar. Mais do que uma data simbólica, é um convite a olhar para um tema que atravessa praticamente todos os setores da sociedade e, por isso mesmo, uma das maiores oportunidades de ação integrada que temos.

Por Alexandra Monteiro e Jaqueline Rocha *

Estima-se que a poluição atmosférica esteja associada a milhares de mortes prematuras por ano, cerca de 6 mil, segundo a Agência Europeia do Ambiente, sobretudo devido às partículas finas (PM2,5). Este não é um problema distante ou abstrato; é um problema com expressão concreta no mundo, e o nosso país não é exceção. Mas estes números não são apenas um alerta, são também um ponto de partida para políticas públicas mais eficazes e articuladas.

A saúde é o exemplo mais imediato. Sabemos hoje que melhorar a qualidade do ar reduz doenças respiratórias e cardiovasculares e a evidência mais recente aponta também para benefícios na saúde mental. Isto significa que políticas de qualidade do ar são, na prática, políticas de saúde preventiva. Investir na redução da poluição não é um custo: é uma forma direta de aliviar sistemas de saúde e melhorar qualidade de vida. Mas o potencial de ação vai muito além da saúde.

Na gestão dos ecossistemas, reduzir a deposição de poluentes, em particular compostos de azoto, permite recuperar solos, proteger a biodiversidade e aumentar a resiliência de sistemas naturais. Aqui, as soluções passam por práticas agrícolas mais eficientes, melhor gestão de emissões e integração entre políticas ambientais e agrícolas.

Nas cidades, a margem de intervenção é clara e imediata. Em áreas urbanas como Lisboa e Porto, onde o tráfego rodoviário continua a ser uma das principais fontes de poluição, soluções como a eletrificação dos transportes, a promoção de mobilidade ativa e a reorganização do espaço urbano têm impacto direto na exposição das populações. O desenho das cidades pode ser parte do problema, mas já sabemos que pode ser, sobretudo, parte da solução.

É também aqui que a ligação às alterações climáticas se transforma numa vantagem estratégica. Em muitos casos, as mesmas medidas que reduzem poluentes atmosféricos também reduzem as emissões de dióxido de carbono. Transportes mais limpos, eficiência energética, transição para fontes renováveis, tudo isto melhora simultaneamente a qualidade do ar e contribui para a neutralidade carbónica. Em vez de agendas paralelas, há uma oportunidade clara de alinhar políticas e maximizar benefícios.

Esta transversalidade não é um obstáculo, é uma vantagem. Permite soluções com impactos múltiplos, ganhos acumulados e maior eficiência na ação pública.

O trabalho científico desenvolvido por grupos como o GEMAC – Grupo de Emissões, Modelação e Alterações Climáticas, da Universidade de Aveiro (DAO – Departamento de Ambiente e Ordenamento, CESAM – Centro de Estudos do Ambiente e do Mar), mostra precisamente isso. A diversidade de projetos em curso, com a modelação da qualidade do ar como ferramenta base, evidencia que não se pode estudar nem resolver este problema de forma fragmentada, e que já existe conhecimento sólido para apoiar decisões integradas. O desafio não é a falta de informação; é transformar esse conhecimento em ação consistente.

Celebrar o Dia Nacional do Ar deve, por isso, ser mais do que reconhecer um problema. Deve ser assumir uma direção. A qualidade do ar não é apenas um indicador ambiental, é um indicador de como planeamos cidades, produzimos energia, organizamos transportes e protegemos a saúde. E, talvez mais importante, é uma das áreas onde já sabemos o que fazer.

Falta fazer com escala. Porque, ao contrário de muitos outros desafios, neste caso as soluções existem e beneficiam todos ao mesmo tempo.

O GEMAC, em colaboração com a APA – Agência Portuguesa do Ambiente, preparou um quiz (QuizAR) onde pode testar os seus conhecimentos sobre a qualidade do ar. Preparado para o desafio? Acede ao quiz aqui!

* Departamento de Ambiente e Ordenamento. Publicado originalmente no site UA.pt.

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