Alberto Souto, em Aradas.

A proposta de criar uma ‘Agência Municipal de Investimento e Inovação’ avançada pela coligação PSD-CDS-PPM servirá, nesta altura, com o modelo proposto, apenas para criar mais burocracia, ao contrário do que se pretende, e lugares para nomeados. Crítica apontada por Alberto Souto para quem o concelho tem de se preparar, antes de tudo o mais, com condições para poder atrair novas empresas.

“O candidato do PSD teve uma ideia nova e uma ideia original, lançaram o programa, só que a ideia original não é boa e a nova não é original”, referiu o cabeça de lista do PS na apresentação da lista em Aradas encabeçada por Sónia Madaíl Aires.

“A ideia nova é transformar o quartel de Sá para habitação, é uma excelente ideia, modéstia à parte, foi eu que a tive, só que nem inclui no programa porque vai dar muito trabalho. É um quarteirão, só que é preciso negociar com o Estado, não é fácil desalojar os muitos serviços da GNR, mas ainda bem que partilha as boas ideias”, disse Alberto Souto num agradecimento irónico ao fazer o rescaldo do debate da RTP e da apresentação do programa eleitoral da candidatura da ‘Aliança com Aveiro’.

Já “a ideia original não é boa”. Para o cabeça de lista do PS, uma agência de captação de investimento nada pode fazer “se não tiver subjacente um trabalho muito mais profundo”. Até isso acontecer “não precisamos de mais uma agência para nomear os amigos, para ter orçamentos e mais burocracia”.

“Não vale nada ter uma agência de captação de investimentos se os investidores chegarem a Aveiro e não existirem zonas industriais com terrenos e infraestruturas, condições para se fixarem como precisam, bons acessos. É preciso fazer o trabalho de casa primeiro e depois com uma estrutura leve, não burocratizada, uma unidade de missão sim tentar ser mais proativo” com as agências estatais que promovem oportunidades. “Mas sim, apareceram com duas ideias ao fim destes meses todos não é mau. Ainda têm mais alguns dias…”, rematou.

“Restaurar a democracia local e dignificar esta terra”

As muitas controvérsias envolvendo a presidência da Junta local de maioria PSD-CDS-PPM não mereceram referências diretas. Ainda assim, Alberto Souto declarou que “o nosso maior compromisso em Aradas, reafirmado por todos, é de restaurar a democracia local e dignificar esta terra, porque Aveiro se é terra da liberdade deve-o muito a Aradas.” Invocou a esse propósito, o papel histórico do Conselheiro José Joaquim Queirós (avô de Eça de Queirós), “um dos conspiradores da liberdade, o primeiro movimento que se associou a Aveiro em termos de liberdade, contra as mordaças, pela participação livre e transparente de todas as pessoas nos processos políticos, foi esse o seu empenho. Em Aradas, o poder autárquico não pode nunca desmerecer este legado, que deve saber honrar todos os dias”, apelou.

Alberto Souto agradeceu “a disponibilidade” da candidata à Junta. “Só uma mulher corajosa enfrenta um ambiente hostil como temos em Aradas. Só uma pessoa determinada para não vacilar perante as adversidades e confiável consegue reunir um elenco de luxo que temos”, elogiou.

Mantendo a estratégia de recuperar o legado do PS na Câmara, apontou a instalação do Arquivo Distrital em Aradas, freguesia que “tem vocação para este tipo de equipamentos”, o que foi iniciado ainda no tempo de Girão Pereira, com o centro cultural. O atual executivo deu sequência com a Casa de Música no âmbito do projeto da Casa da Memória (arquivo municipal) que merece concordância “para continuar”.

No reverso da medalha, ficou o lamento para o “desprezo” dado ao projeto para o centro cultural queirosiano e cívico de homenagem ao avô do escritor. “É a diferença que existe na sensibilidade cultural, agora precisamos de muita imaginação para recuperar esse legado”.

Uma Junta com “muito foguetório, muito passeio, mas pouca obra”, referiu Alberto Souto, apontando o caso do ‘Carocho’, complexo de lazer e piscina que “está fechado e faz falta”, num estado que “envergonha a todos”, deixando “o compromisso que vai ser reabilitado outra vez”.

O PS pretende dar ao Bonsucesso um “novo parque”, com o objetivo de colocar os equipamentos locais envolvidos em verde, com enquadramento paisagístico. A renaturalização dos vales, “projetos antigos”, serã também retomada porque “nos tempos que correm é muito interessante”, a par da criação geenralizada de passeios e pistas cicláveis. Ainda no Bonsucesso, foram anotados “os problemas crónicos para resolver” do complexo desportivo e as queixas de outras associações também terão respostas.

“Destruíram o caminho de confiança e proximidade, que legitimidade têm falar em legados ?”

Sónia Aires Madaíl quer começar o mandato, a ser eleita presidente, por arrumar a casa. “Estou pronta para limpar de vez a casa, em prol da transparência, contas certas e trabalho de proximidade”, com “atendimento descentralizado e respostas rápidas”.

“Reforçar o papel do associativismo” é uma das apostas. A juventude merecerá um “espaço” próprio. Escolas e IPSS motivarão “planos de ação conjuntos”. É garantida “a partilha de ideias para a participação comunitária, incluindo no que toca a investimentos locais” com “uma visão inclusiva e sem esquecer de ninguém”.

“É tempo de requalificar o esteiro do Eiró, para lazer e convívio”, referiu, também, a candidata, propondo-se “estudar medidas para a segurança de peões e ciclistas”bem como “o levantamento das condições dos parques”.

Discurso direto

“Todos sabem o que aconteceu nos últimos oito anos, nunca visto, gestão desastrosa, autoritarismo e falta de transparência, mais preocupada com mediática do que com as pessoas, descaracterizaram o que construído com tanto esforço, destruíram o caminho de confiança e proximidade, que legitimidade têm falar em legados, quando foi nesta gestão que o legado foi completamente destruído, como aconteceu com as piscinas Carocho, que todos  os presidentes foram mantendo. Aradas não precisa de vaidade, mas de trabalho sério. Não queremos cargos para aparecer, queremos funções para servir. Com humildade e competência” – Sónia Aires Madaíl.

(em atualização)

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