‘Barco Moliceiro: Arte da Carpintaria Naval da Região de Aveiro’, UNESCO 2025.

UNESCO inscreve o Barco Moliceiro na Lista de Salvaguarda Urgente do Património Cultural Imaterial. Reconhecimento internacional distingue o saber-fazer da carpintaria naval tradicional da Região de Aveiro. O IPDT acompanhou e instruiu todo o processo técnico desde o primeiro dia.

Por IPDT Tourism Intelligence *

A UNESCO anunciou no dia 9 de dezembro de 2025, em Nova Deli, a inscrição da candidatura “Barco Moliceiro: Arte da Carpintaria Naval da Região de Aveiro” na Lista do Património Cultural Imaterial que necessita de Salvaguarda Urgente. A decisão foi tomada durante a 20.ª Sessão do Comité Intergovernamental da UNESCO para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial e representa um marco histórico para Portugal, para a Região Centro e para toda a comunidade ligada à Ria de Aveiro.

A partir deste momento, o Barco Moliceiro – um dos símbolos mais reconhecidos do país e uma referência incontornável da identidade cultural portuguesa – passa a integrar oficialmente o conjunto de bens culturais classificados internacionalmente pela UNESCO. Esta inscrição destaca a importância do saber-fazer tradicional da carpintaria naval da Região de Aveiro, uma prática transmitida ao longo de gerações e atualmente exposta a riscos significativos de continuidade.

Um Património Cultural Imaterial singular na história de Portugal e da Região Centro

A inscrição do Moliceiro na Lista de Salvaguarda Urgente da UNESCO é particularmente relevante por três razões:

  • É a primeira inscrição de Património Cultural Imaterial da Humanidade na Região Centro de Portugal. Reconhece oficialmente a singularidade cultural e estética do Moliceiro, tanto na sua técnica construtiva como na iconografia pintada que o caracteriza;
    Consolida o compromisso da região e do país com a proteção de um conhecimento artesanal em risco, num contexto onde o número de mestres construtores tradicionais diminui e onde a pressão turística exige atenção redobrada à autenticidade e preservação.

Ao longo dos últimos anos, o Barco Moliceiro tornou-se não apenas um emblema turístico, mas uma expressão viva da identidade coletiva da Ria de Aveiro. A sua construção, pintura e uso refletem histórias, humor popular, práticas sociais, relação com o território e modos de vida que definem a cultura local.

Entre os elementos essenciais para o sucesso desta inscrição está o trabalho desenvolvido pelo IPDT – Turismo e Consultoria, que acompanhou o processo desde o primeiro dia, assegurando toda a instrução técnica necessária para a candidatura, tanto a nível nacional como internacional.

O IPDT foi responsável por:

  • Investigações etnográficas e documentais aprofundadas sobre a construção do Moliceiro, sobre os mestres carpinteiros, pintores e comunidades envolvidas;
  • Elaboração da Resenha Histórica, do módulo de diagnóstico e dos diretórios visuais, que serviram de base à fundamentação técnica da candidatura;
    Redação dos formulários oficiais do Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (2022) e dos formulários formais submetidos à UNESCO;
  • Desenvolvimento de materiais pedagógicos, como o livro “Barco Moliceiro: uma herança da Ria de Aveiro”, materiais educativos para crianças e o Mini-Guia ilustrado;
    Definição e estruturação das medidas de salvaguarda, essenciais para a candidatura à Lista de Salvaguarda Urgente;
  • Produção do vídeo oficial apresentado na sessão da UNESCO, que sintetiza o valor cultural, técnico e comunitário do Moliceiro;
  • Acompanhamento técnico permanente junto da CIRA, dos municípios, dos mestres, pintores e restantes entidades envolvidas na criação e validação da candidatura.

Este trabalho contínuo permitiu criar uma base sólida de conhecimento – antropológico, técnico e cultural – essencial para demonstrar à UNESCO a urgência da salvaguarda e a profundidade do valor patrimonial do Moliceiro.

Uma candidatura construída com e para a comunidade

Para além do trabalho técnico, o processo foi profundamente participativo. A construção da candidatura contou com a colaboração de:

  • Mestres construtores navais tradicionais;
  • Pintores de Moliceiros;
    Proprietários e operadores marítimo-turísticos;
  • Municípios da Região de Aveiro;
  • Entidades culturais, educativas e museológicas;
  • Comunidades e famílias que ainda hoje mantêm viva a ligação ao barco.

A UNESCO reconheceu não apenas a excelência da técnica tradicional, mas também a forma como esta embarcação continua a ser um elemento identitário, emocional e social das populações da Ria. O Barco Moliceiro é, ao mesmo tempo, objeto artístico, meio de transporte tradicional, símbolo comunitário e expressão de humor e criatividade popular.
Porque é que o Barco Moliceiro foi inscrito na Lista de Salvaguarda Urgente?

A Lista de Salvaguarda Urgente reúne patrimónios culturais vivos que enfrentam riscos significativos de desaparecimento. No caso específico do Moliceiro, destacam-se:

  • Diminuição do número de mestres construtores capazes de transmitir o saber-fazer;
  • Ameaça de descaracterização resultante de usos turísticos e comerciais pouco alinhados com a tradição;
  • Fragilidade na transmissão intergeracional, sobretudo entre jovens;
  • Necessidade de reforçar mecanismos de ensino formal e informal, incluindo cursos, oficinas, residências e programas educativos;
  • Pressão económica e social sobre os estaleiros e sobre a profissão de carpinteiro naval tradicional.

A inscrição obriga agora à implementação de medidas concretas de salvaguarda, definidas no dossier técnico, muitas delas elaboradas com o contributo direto do IPDT.
Salvaguardar o futuro do Moliceiro

A decisão da UNESCO representa, acima de tudo, um compromisso para o futuro.

Um compromisso de:

  • Garantir que a arte de construir um Moliceiro permanece viva;
  • Reforçar formação, transmissão e valorização dos mestres;
  • Proteger a autenticidade estética e técnica da embarcação;
  • Promover um turismo mais responsável na Ria de Aveiro;
  • Engajar jovens e comunidades na continuidade desta arte.

Um orgulho para a Região de Aveiro e para Portugal

O IPDT orgulha-se profundamente de ter contribuído para a instrução técnica deste processo, em colaboração com a CIRA – Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro e com todos os que mantêm viva esta arte única.

Esta inscrição não celebra apenas um barco: celebra um território, uma comunidade e uma memória coletiva que agora passam a integrar a lista de patrimónios culturais da humanidade.

De relembrar que o “Barco Moliceiro: Arte da Carpintaria Naval da Região de Aveiro” foi inscrito no Inventário Nacional de Património Cultural Imaterial, como registo de salvaguarda urgente, no dia 15 de dezembro de 2022.

Parabéns, Região de Aveiro.
Parabéns a todos os que constroem, pintam, preservam e vivem o Barco Moliceiro.

* https://www.ipdt.pt/blog/

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