Jerónimo Pereira Campos.

Jerónimo Pereira Campos nasceu numa família vareira de carpinteiros e mestres-de-obras, já a viverem em Aveiro. Foi em 2 de Março de 1828.

Por Fernando Ferreira Dias *

Jerónimo Pereira Campos aprendeu o ofício do pai, mas como era uma pessoa com grandes capacidades, foi nomeado mestre-de-obras da Câmara Municipal de Aveiro em 1868.Muitas das estradas do município foram executadas por si, no mandato de Sebastião de Carvalho Lima. Provavelmente por razões políticas foi afastado da função em 1882, data da eleição de Manuel Firmino da Maia.

À altura as construções urbanas da região usavam a dura «pedra de Eirol», adobes, calhau rolado, areia e madeiras. As telhas tradicionais eram produzidas pelos oleiros de Eixo, Aradas, São Bernardo, Quinta do Gato, Angeja e Salgueiro.

Durante as décadas de 1860 e 1870 Jerónimo Pereira Campos deslocou-se ao Porto com regularidade, o que foi muito útil nas décadas seguintes, na fundação e apetrechamento tecnológico da sua fábrica. Inclusive chegou a ser operário cerâmico em França durante algum tempo para conseguir obter conhecimentos da especialidade.

Conheceu a Fábrica Cerâmica e de Fundição das Devesas, porque foi fornecedor de barro a esta empresa. A venda de barro da região constituía então uma atividade muito lucrativa, devido às grandes quantidades e elevada qualidade do mesmo.

Em 1894, no primeiro ano de funcionamento da Escola de Desenho Industrial, Jerónimo Pereira Campos colocou os seus dois filhos mais novos, Henrique e João, a aprender Desenho Elementar, Modelação e Desenho aplicado à Cerâmica. Tinham então 21 e 18 anos de idade, respetivamente.

Em 1896 surgiu a Campos & Filho, tendo à frente Jerónimo Pereira Campos e seus dois filhos mais novos, Henrique e João. A fábrica ficava junto de excelentes barreiros, que exploraria durante décadas, próximo da estação do caminho-de-ferro. Era servida pelo canal do Cojo e ficava à entrada da cidade. A nova fábrica não tinha qualquer concorrência em Aveiro, pois o tijolo e a telha Marselha, só eram produzidos no Porto e na Pampilhosa.

O alvará «para fundação de uma fábrica de tijolo e telha, no qual se emprega uma caldeira a vapor, no sítio das Agras de Baixo» foi concedido em 4 de Outubro de 1897.

Mas em 1903, surgiu a disputa do mercado local pela Empresa Cerâmica da Fonte Nova, Lda. Prevendo o pior, a fábrica Jerónimo Pereira Campos, Filhos instalou uma fábrica de vidro que só abandonaria em 1908, com a falência da sua rival.

À data da sua morte, 1907, o capital desta sociedade por quotas cifrava-se em 15 contos. Quatro anos depois, em 1911, é elevado para 30 contos, divididos em partes iguais pelos quatro filhos de Campos: Ricardo, Domingos, Henrique e João. A fábrica empregava 64 trabalhadores. Já após a sua morte, em 1907, os filhos, com a experiência adquirida na indústria e com boas relações no sector económico, encontraram novas soluções e abalançaram-se à construção de um enorme projeto, na Quinta das Agras. O edifício Fabrica Campos, é da autoria do arquitecto José Maria Olímpio, do Porto.

Já em 1948 a Campos & Filho, de Aveiro, adquire uma empresa de Viana do Castelo de loiça doméstica e decorativa a Fabrica de Louça da Meadela. Refira-se que a Fábrica Campos & Filho foi, por meados do século e até aos anos 80, detentora de outras grandes fábricas espalhadas pelo país, nomeadamente em Alvarães (Minho) e na Pampilhosa (Bairrada). Na década de 1950 passaram pela fábrica da Meadela artistas com renome: António Pedro e Marcelino Vespeira . Mantendo as instalações da Meadela, diversificaram a sua produção ainda na outra margem do rio Lima, em Barroselas, uma unidade onde produzia cerâmica de construção e grés, de acordo com a vocação original das duas outras unidades industriais.

* Série de publicações ‘Personagens que fazem Aveiro’. Artigo publicado em Aveiro na História.

 

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