
A AECA – Associação Empresarial de Cambra e Arouca tem projetos em curso, quer como líder quer como copromotora, que irão envolver empresas, sobretudo da área industrial e que permitirão a muitas delas adquirir competências, ferramentas e apoio para esta nova realidade.
Por Carlos Brandão *
A introdução da Inteligência Artificial (IA) no tecido empresarial já não é uma tendência distante nem um tema reservado às grandes multinacionais. É uma realidade presente, concreta e cada vez mais determinante para a competitividade das empresas, também na nossa região.
Enquanto Presidente da AECA, considero essencial abordar este tema com clareza: a IA pode ser uma oportunidade histórica para aumentar produtividade, reduzir desperdícios, melhorar processos e reforçar a sustentabilidade económico-financeira de muitas empresas.
A IA traz vantagens evidentes. Permite automatizar tarefas repetitivas, apoiar decisões com base em dados, prever falhas em equipamentos, otimizar rotas logísticas, melhorar o atendimento ao cliente e criar novos modelos de negócio.
Para muitas empresas industriais, em particular, a IA pode significar uma verdadeira revolução silenciosa: menos paragens, mais eficiência, maior capacidade de resposta ao mercado e mais margem para investir em inovação e pessoas.
No entanto, importa reconhecer que existem diferentes estágios de maturidade na implementação destas tecnologias. Há empresas na nossa região que estão claramente muito à frente, com uma visão estratégica, investimento consistente e resultados visíveis. E não é coincidência: algumas delas registam crescimento assinalável também por integrarem inovação nos seus processos, na gestão e na forma como se posicionam nos mercados.
Por outro lado, existem empresas que estão agora a iniciar este trajeto. Estão a dar os primeiros passos, com prudência, mas com vontade de aprender e evoluir. Este é um caminho que exige capacitação, acompanhamento, confiança e é aqui que as associações empresariais têm um papel determinante.
Infelizmente, há ainda empresas muito atrasadas, que continuam a apostar quase exclusivamente em soluções tradicionais para manter a sua atividade. Respeitamos todas as
realidades, mas é importante dizê-lo com frontalidade: a inércia pode custar caro. O mercado não espera, a concorrência não abranda e a transformação digital não se compadece com o “sempre foi assim”.
A IA é, de facto, o futuro. E para uma larga fatia das empresas, será também a diferença entre resistir ou crescer, entre sobreviver ou liderar. Mas se a inteligência é artificial, as estradas continuam bem reais, bem físicas e bem rudes.
O escoamento dos nossos produtos rumo ao litoral depende de acessos dignos e seguros. Os 2 km crónicos dos semáforos das Alagoas até à rotunda de Escariz deveriam ser prioritários para o Município de Arouca. Apesar da boa vontade, a este ritmo, temo que nem daqui a 10 anos teremos este trajeto concluído com a qualidade e segurança que empresas e população merecem.
A conclusão da variante Nó de Escariz- Ponte da Cela também deveria ser uma realidade a breve trecho. Aqui dependemos de terceiros, do Orçamento do Estado, mas a verdade é
que nós empresários vivemos muitas vezes nesta contradição: pagamos impostos, criamos emprego, investimos, e depois temos de mendigar algum retorno, tantas vezes prometido e tantas vezes levado pelo vento.
É a nossa sina. É o nosso ADN. Continuar a enfrentar dificuldades, pagar salários, cumprir obrigações, apoiar causas sociais e seguir em frente, por vezes até mal vistos e incompreendidos.
Em Vale de Cambra, é igualmente urgente a ligação da Zona Industrial de Lordelo-Codal à A32, um pequeno troço que poderia desbloquear o desenvolvimento económico e social
dessas freguesias e de todo o concelho.
Nunca desistir é o lema. E apesar de tudo, tenho esperança. Se melhorarmos o desempenho das empresas, se resolvermos problemas estruturais como acessibilidades, habitação e arrendamento, conseguiremos atrair mais jovens ao território e construir uma região mais dinâmica, moderna e competitiva. O futuro faz-se com tecnologia, sim, mas também com decisões concretas, coragem e compromisso.
* Presidente da Direção da AECA. CEO da Chatron, Lda. Revista Encontros.
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