
A construção pré-fabricada e industrializada está atualmente a transformar profundamente o modo como pensamos a habitação e as infraestruturas. À escala mundial, em que a densificação da população se faz essencialmente em zonas urbanas e com a crescente exigência de habitação a custos acessíveis, a capacidade de produzir em grande escala, com maior rapidez e menor custo, torna-se um grande imperativo estratégico.
Por Romeu Vicente, António Figueiredo, Victor Ferreira *
Desta forma, a construção industrializada, pela sua capacidade de garantir mais eficiência na produção e tempos de execução reduzidos, torna-a uma solução necessária para
enfrentar a crise do sector habitacional, permitindo assim o acesso à habitação para todos, com menor impacto no tempo e no espaço.
Este novo paradigma na construção aumentou o impacto inovativo e tecnológico que é já um dos maiores catalisadores desse setor. Tecnologias construtivas como as baseadas em aço enformado a frio (Light Steel Framing – LSF), na Madeira (tipo CLT) ou em Sistemas de Painéis e Módulos de Betão Armado, ou até na impressão 3D, todas associadas à digitalização da construção (BIM), oferecem uma nova abordagem para a conceção e a construção com um maior rigor na produção de elementos, com menor possibilidade de erros e desperdício, facilitando ainda a coordenação entre os diferentes profissionais envolvidos no processo.
Esta aliança de tecnologias (sistemas construtivos e digitais) apresenta um elevado potencial para promover a sustentabilidade e para reduzir o carbono incorporado nos materiais e no ato de construir, uma vez que permite uma seleção criteriosa e um controle mais rigoroso sobre os materiais usados e os resíduos gerados.
Embora a construção industrializada (pré-fabricada ou modular) tenha elevado potencial para minimizar os impactos ambientais durante a fase de construção, é necessário manter critérios de escolha com base no ciclo de vida dos materiais utilizados, pensando também na integração de soluções que permitam a reutilização ou a reciclagem após o uso, como já é objetivo das diretivas europeias, patente por exemplo, na última revisão da EPBD (diretiva de desempenho energético de edifícios).
Os sistemas construtivos apresentados destacam-se das soluções ditas tradicionais pela sua elevada eficiência e produtividade, devido à industrialização dos processos. Esta abordagem permite a fabricação em grande escala, com maior rapidez e custos reduzidos, posicionando-se assim como uma solução estratégica necessária para responder à carência de habitação acessível.
Entre outras vantagens, a produção industrializada garante prazos de execução mais curtos, reduzindo-se erros de execução tipicamente observados em ações insitu, menor
desperdício de materiais e facilitando a coordenação entre equipas técnicas e especialidades. Estes fatores promovem um aumento significativo na produtividade, tornando o processo construtivo globalmente mais eficaz e sustentável.
É importante referir que a nova exigência de mercado de habitação rápida e acessível irá impulsionar dois vetores-chave para o sucesso dos sistemas pré-fabricados: a padronização e a modularidade. A inclusão destes vetores irá permitir a produção de elementos construtivos com dimensões e características previamente definidas, elevando o rigor e a repetibilidade do processo industrial. Irá acelerar ainda a execução, minimizando erros, facilitando a logística e possibilitando também a integração de diversos sistemas construtivos (soluções híbridas), garantindo qualidade e compatibilidade entre componentes.
No que respeita à qualidade, destaca-se a produção controlada em fábrica dos sistemas modulares e pré-fabricados que será o mote para a integração das infraestruturas e acabamentos numa só fase, elevando assim o padrão de qualidade, ao garantir maior precisão na execução e uniformidade dos diferentes componentes.
* Docentes do Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro. Continuar para ler artigo completo na Revista Linhas 44.
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