Inconsciência ambiental

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Antiga casa do Conselheiro Queiróz, avô de Eça de Queiróz (Aradas, Aveiro).
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A preocupação ambiental destes políticos que tomam as decisões nos gabinetes, que não supervisionam, que não atuam a montante porque falta a coragem para assumir as suas responsabilidades, referencia o estado emocionalmente inconsciente destes ambientalistas de polichinelo porque a consciencialização ambiental só é proactiva nas colunas dos jornais e microfones das rádios.

Por Francisco Labrincha *

Aradas subitamente despertou para a consciencialização ambiental, ganhou um espaço verde mas por inabilidade não capitalizou outras mais valias.

O tal protocolo assinado com uma instituição local apresentado em Assembleia de Freguesia não se fez acompanhar de um programa e respetivo regulamento com uma fundamentação criteriosa em relação aos encargos financeiros estimados para a sua execução. O que preocupa os cidadãos minimamente informados é que não existe um planeamento e uma gestão adequada para o efeito.

Gasta-se e pronto, em nome da tal consciência que não passa de um plano de intenções, assumem-se todas as despesas e não há qualquer salvaguarda, ou seja, fica à mercê das decisões da tal entidade privada presume-se até ao final do mandato. Depois admiram-se que a prestação de contas não tenha votação favorável nas Assembleias, mas pelos vistos tal é despiciendo para este Executivo.

A mesma entidade que publicita tal feito é a mesma que recusou intervenção na questão da Urbanização Capitão Lebre com o argumento que o espaço com jardim relvado e parque infantil encerrado há anos, era privado.

Ao abrigo da delegação de competências assegurou a manutenção do jardim da urbanização junto à rotunda Eça de Queirós, com evidentes prejuízos para os condóminos e cidadãos, relva sem regas adequadas, arbustos secos, sujidade e início da deterioração dos passeios, contrapondo com o estado bem cuidado quando a manutenção do espaço pertencia a uma empresa privada.

Perante uma denúncia de um terreno abandonado e pejado de animais na zona da Quinta do Picado, colocando em perigo a saúde pública, decidiu enviar o assunto para as autoridades policiais.

Tendo conhecimento de um terreno junto à capela de S. João, outrora cuidado e agora abandonado, não efetuou diligências e não atuou preventivamente em prol da salubridade que tanto apregoa.

Enalteceu a desinfeção de algumas ruas durante a pandemia mas ao mesmo tempo inundou a freguesia de glifosatos produto potencialmente cancerígeno para pessoas e animais, tudo em prol de um ambiente mais limpo e saudável.

Gastou milhares em seminários e publicidade mas não tem uma informação eficaz nas operações em que aplica os glifosatos, papéis informativos facilmente deterioráveis e textos para míopes lerem.

Que consciencialização ambiental é esta?

A preocupação ambiental destes políticos que tomam as decisões nos gabinetes, que não supervisionam, que não atuam a montante porque falta a coragem para assumir as suas responsabilidades, referencia o estado emocionalmente inconsciente destes ambientalistas de polichinelo porque a consciencialização ambiental só é proactiva nas colunas dos jornais e microfones das rádios.

O apregoado programa sem princípios e objetivos é consubstanciado num panfleto e palavras soltas, jamais apresentado nos locais apropriados agravando os efeitos colaterais do síndrome de Alice no País das Maravilhas. Afeta a percepção da consciência do ambiente, agravando a inconsciência dos humanos e visionando a freguesia como os jardins proibidos e suspensos, uma realidade distorcida pois provoca no freguês uma reação semelhante ao riso sarcástico de Muttley, o cão traquinas dos malucos das máquinas voadoras, contrapondo o arreganhar da tacha de gente que não sabe estar.

Ecoa nas nossas memórias a frase mil vezes repetida, “FAÇAM ALGUMA COISA”, mas não isto, direi eu…

O ambiente não se amarra num panfleto, não fala mas sente, não grita mas compreende que as palavras não se coadunam com o presente.

Que a voz, a palavra e a ação e a mão na consciência ajude o ambiente a ler e o autarca a perceber que a demagogia não soluciona os problemas…

* Oficial da Marinha Mercante, residente na freguesia de Aradas, Aveiro.

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