Idosos: Repensar os paradigmas da prestação de cuidados

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Programa de apoio a idosos, Ovar.

Segundo previsões do Instituto Nacional de Estatística (2020), entre 2018 e 2080, o número de idosos com 65 ou mais anos, passará de 2,2 para 3,0 milhões, sendo que 57.1% desta população encontra-se de alguma forma dependente de terceiros para a satisfação das suas atividades básicas e instrumentais da vida diária (PORDATA, 2021)

Por Ricardo Pocinho *

Neste contexto o Sistema Nacional de Saúde e o Sistema de Proteção Social, são chamados a intervir numa população cada vez mais envelhecida, com múltiplas fragilidades e física e /ou mental dependentes, o que conduz a um aumento do número de idosos institucionalizados colocando em causa a sustentabilidade e a capacidade de resposta destes sistemas.

A opção de cuidados institucionais está em grande parte relacionada com a sobrecarga dos cuidadores, a falta de apoio-sociofamiliar, a presença de diagnósticos múltiplos e a polimedicação. É fundamental repensar os paradigmas associados à prestação de cuidados, elegendo a manutenção da pessoa no seu domicílio, com autonomia/independência, evitando ou atrasando a opção de cuidados institucionais.

Foi neste contexto que surgiu Academia Sénior de Verão – AGEING SUMMER SCHOOL que se realizou entre os dias 8 a 12 de Agosto em Pombal, organizada em parceria com a Associação Nacional de gerontologia social e o Município de Pombal. Então, e campo de férias para idosos, porquê? E porque não? E assim que divulgámos, esgotámos a capacidade logística em três dias.

Durante uma semana, 30 idosos sem apoio institucional e residentes no seu domicílio, participaram num conjunto de atividades de estímulo cognitivo, físico, emocional, social, mas também de lazer, turismo e bem-estar divididas em diferentes oficinas como: Oficina de jogos terapêuticos e de jogos tradicionais; Oficina de estimulação cognitiva: CÉREBRO ATIVO; Oficina de estimulação físico-motora: MOVE-TE; Oficina de ritmos e sons: EXPRESSAR ́TE; Oficina multissensorial: Aromaterapia; Oficina de Turismo e Lazer; Oficina da História e Património cultural; e Oficina de costumes e tradições.

E se adesão a este projeto inovador foi bastante positiva o balanço final superou todas as expectativas. Muitos dos idosos são de meio rural e nunca tinham experienciado este tipo de atividades e verbalizaram:
“Nunca tinha mergulhado no mar”;
“Há anos que vivo em Pombal e nunca tinha vindo ao castelo”
“Pensava que o zumba era para os jovens, mas adorei, fazia isto pelo menos 2x por semana”;
“Esta perna estava toda empenada, mas já pareço outra, posso fazer isto todos os dias?”
“Estou habituada que quando faço estes exercícios, seja outra pessoa a ajudar-me, pensava que já não conseguia fazer as coisas sozinha”
“Vou falar com o Presidente para fazermos isto todas as semanas, já não me ria assim há muito tempo”
“Obrigado por estes dias, fui tão feliz, obrigado por se importarem connosco”

Este projeto piloto deixa a certeza que estamos no caminho certo. O desenvolvimento de atividades estímulo criativas, e inovadoras potenciam a manutenção do idoso no seu domicílio com qualidade de vida, felicidade e bem-estar, mas devem ter continuidade

* Presidente da ANGES – Associação Nacional de Gerontologia Social. www.anges.pt

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