PCP Aveiro.

O direito à manifestação não tem hora para acabar. Não tem horário de expediente, nem prazo de validade, nem botão ou bastão de silêncio.

Por Nuno Teixeira *

A rua é uma forma legítima de participação democrática. É onde se denuncia o que dói, onde se exige resposta, onde se lembra quem governa que as políticas existem para resolver problemas reais.

Uma manifestação não é um incómodo: é um aviso, e enquanto houver salários que não chegam para as rendas, o aviso terá de continuar.

Sem pressão, os direitos recuam, a história mostra-o vezes suficientes. Os direitos conquistaram-se com persistência, com organização, com gente nas ruas e com a teimosia de não aceitar o inevitável.

A habitação não foge à regra. Se baixarmos os braços, as rendas continuam a subir, os despejos continuam a acontecer e as soluções continuam adiadas.

Organizar e intensificar luta nas ruas continua a ser necessária porque o direito à habitação não se cumpre com anúncios nem com boas intenções.Cumpre-se com casas acessíveis, com rendas que caibam nos salários, com mais habitação pública, com regras que ponham as pessoas antes do lucro.

Não podemos deixar nas mãos dos privados as nossas vidas. Não podemos aceitar que o lugar onde dormimos, criamos filhos ou envelhecemos dependa da vontade de quem vê a casa como um activo financeiro. A habitação é um direito, não uma mercadoria de luxo.

Não podemos aceitar a conversa que é preciso “dar tempo ao tempo”, e que estes jovens não estão disponíveis para sacrifícios.

Não podemos aceitar a conversa que as soluções não são imediatas, pois precisamos de tempo para colocar casas no “mercado”, e esperar que esse mesmo mercado que nos asfixia seja a solução.

Não podemos aceitar conversa das rendas moderadas de 2300 euros. Para essas conversas dos números, dizemos os nossos direitos não meras estatísticas.

A realidade é a renda que sobe, o senhorio que quer a casa de volta, o contrato que não se renova, a mudança forçada para cada vez mais longe do trabalho, dos amigos, da escola dos filhos.

Quando a casa treme, treme tudo. E quem sente isso todas as semanas não pode aceitar que lhe digam para esperar sentado.

A realidade é o salário não chegar ao final do mês, a realidade é ter que escolher entre comprar medicamentos ou jantar.

A realidade é a angustia de quem procura uma casa para viver e se vê confrontado com as rendas de avanço, com os fiadores.

A realidade é saber o que querem impor para o nosso futuro é o senhorio aumentar a renda sem regras, é poder despejar sem proteção.

Por isso, a resposta é continuarmos nas ruas, organizar e construir uma grande manifestação no dia 14 de Novembro, também aqui em Aveiro.

Dia 14 de Novembro, vamos ver as ruas cheias. Cheias de jovens com cartazes acabados de pintar, famílias com crianças ao colo, pessoas mais velhas que já viram muitas promessas passar.

Dia 14 de Novembro vamos dizer, sem vergonha, que precisamos de casas para viver e que os salários não chegam para as rendas.

Dia 14 de Novembro vamos dizer que a casa é um direito, e os direitos não se entregam a quem quer transformar-los em um negócio.

Dia 14 de Novembro vamos dizer, a rua não tem hora de fecho. A luta também não.

* Membro da Concelhia de Aveiro do PCP.

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