(H)À Educação: os valores são iguais para todos?

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Educação.

Propomos ao leitor uma história. É a história de uma futura-professora numa das suas primeiras experiências numa escola, desempenhando o papel de professora, em vez do papel de aluna a que estava acostumada.

Por Ana Catarina Ferreira Pinto e Margarida M. Marques *

É a hora do recreio e uma criança tenta trepar para um corrimão de uma escada. De imediato, uma auxiliar de ação educativa impede essa brincadeira perigosa. A criança chama-lhe um nome pouco simpático e foge a sete pés. A futura-professora testemunha o episódio em choque e fica sem reação imediata.

Mas porque é que aquela criança reage assim? Será que para ela não é importante respeitar os outros? Para a futura-professora este era um valor basilar, um dos que não dispensava, mas o respeito não parecia ser importante para a criança. Pequenos episódios como este podem motivar uma reflexão sobre para que servem os valores. Qual a sua importância, afinal? Bem, são importantes porque nos permitem assumir um papel crítico e cívico na sociedade em que nos inserimos, ou seja, são importantes para a nossa formação moral e cívica.

Há, e provavelmente sempre existiram, diferenças de valores nos cidadãos da nossa sociedade. Mas, de onde vêm os valores? De uma forma simples, pode-se dizer que os valores de uma pessoa têm origem em vivências e experiências partilhadas com os outros; experiências essas que lhe revelam os valores que os outros mais apreciam. Logo, as primeiras trocas de valores dão-se no seio da Família; por exemplo, ao testemunharmos expressões de carinho entre os nossos pais vamos aprendendo o valor do amor.

Quando as crianças começam o seu percurso escolar, o seu leque de valores é ampliado e diversificado, devido à variedade de culturas e de valores que a comunidade escolar possui. Por exemplo, quando damos as mãos aos nossos colegas da escola, estamos também a aprender o valor da amizade.

À medida que as crianças crescem vão-se inserindo na Sociedade, através de pequenos contactos sociais, como por exemplo uma breve conversa com o condutor do autocarro ou com a funcionária da padaria. Mesmo nestas breves experiências, as crianças podem observar, por exemplo, alguém a devolver um troco indevido e aprender o valor da honestidade.

Cada um destes contextos, Escola, Família e Sociedade, representa um pilar que, no seu conjunto, contribui para a promoção de uma Educação em Valores. Estes três pilares são cruciais para a formação moral e cívica de cada um de nós. No entanto, cada indivíduo é um ser singular, com a sua própria personalidade e identidade. Neste sentido, cada pessoa possui o seu próprio leque de valores, que em parte resulta de todas as partilhas vivenciadas nos três contextos que a rodeiam e que se pode ir alterando ao longo do tempo, visto que a Sociedade está em constante transformação.

* Centro de Investigação em Didática e Tecnologia na Formação de Formadores (CIDTFF) da Universidade de Aveiro. Artigo publicado originalmente no site UA.pt .

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