Montanhas Mágicas, sempre com Montemuro na mira (foto de António Garcia).

Há trilhos que se percorrem com as pernas… e outros que se percorrem com a infância ao lado. Regresso às Montanhas Mágicas, sempre com Montemuro na mira. Regresso a caminhos medievais, de ancestralidade funda, desses que parecem guardar passos de séculos.

Por António Garcia *

Alguns já conhecidos; outros, desta vez, em estreia de pioneiro. E houve ainda um ingrediente raro: a companhia que levava comigo, que em criança percorreu estes caminhos todos, como quem traz no corpo um mapa antigo.

Da Granja até Muimenta e quase até à ponte de Alhões, pisámos terreno familiar. Mas, depois, começou a verdadeira descoberta: uma subida épica que nos fez pensar nos que, vindos de longe, afrontavam estas encostas para chegar à Feira de Alhões. Gente de outro tempo, de passo firme e necessidade maior, a subir onde hoje o fazemos por paixão.

Antes disso, saboreámos o verde amplo de Muimenta, planalto onde outrora se juntavam centenas para cultivar cereais e viver o tempo das colheitas. Por ali passaram rebanhos que ficavam dias e semanas sem “ir a casa”. Ainda resistem as casas de apoio, feitas para animais e palha. Hoje, a fotografia apanha pouco mais do que uma ou duas vacas a pastar; em contrapartida, cresce o abandono e a mãe natureza cobre tudo com flora bravia, beleza, sim, mas também combustível para os fogos do Verão.

Lá em baixo, o Bestança domina o vale com o seu nome. Na ponte de Alhões, o rio ainda é criança: a nascente está ali perto, a montante, como se o mundo começasse a pouco e pouco.

Montanhas Mágicas, sempre com Montemuro na mira (foto de António Garcia).

Alhões, terra fria e de poucos, já não é a mesma. As casas de colmo quase desapareceram; a aldeia alongou-se, ganhou novas construções e tornou-se mais visível no horizonte, mas vive sobretudo nas férias, por quem não quer morrer de saudades. Ainda assim, tivemos a sorte de encontrar alguns “indígenas” (mesmo de passagem), que nos deixaram estórias e sinais dessa vida antiga.

Depois, a descida em direcção a Bustelo, com paragem na Laje, antes de voltarmos a descer para o Bestança e o atravessar na ponte do mesmo nome. O regresso à Granja foi mais rápido, o dia já escasseava, mas ficou cheio: ar puro, horizontes largos e aquela sensação de termos caminhado numa terra que dá encantos e encantamentos.

Claro que é para voltar. Mesmo quando o trilho nos leva aos 16 km, com desvios que são tentações… e promessas.

* https://www.facebook.com/antoniotony.garcia.9

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