
Horácio Briosa e Gala nasceu em 12 de Fevereiro de 1922,no Troviscal, Oliveira do Bairro e faleceu a 7 de Outubro de 2005 em Aveiro.
Por Fernando Ferreira Dias *
Foi médico formado em Medicina em Coimbra, tendo feito uma especialização em otorrinolaringologia em New Bedford e Boston nos EUA. Um ser humano com um elevado sentido de democracia foi desde sempre opositor ao regime salazarista., foi amigo de Salgado Zenha e Mário Soares.
Foi um dos apoiantes da Candidatura do General Humberto Delgado à Presidência da República, fazendo parte do MUD. Foi um dos organizadores, com Mário Sacramento e outros intelectuais aveirenses, Manuel das Neves, Júlio Calisto, Armando Seabra, Manuel da Costa e Melo, Joaquim José de Santana, Alfredo Coelho de Magalhães e Álvaro Seiça Neves do I Congresso Republicano, que ocorreu no Aveirense, em 1957.
Neste Congresso estiveram presente António Luís Gomes, o coronel Hélder Ribeiro, Rodrigues Lapa e Orlando de Carvalho. Este Congresso constituiu o culminar das comemorações em Aveiro do 47.º aniversário da implantação da República Portuguesa.
Foi também um dos organizadores do 2º Congresso Republicano (no Aveirense),realizado em Maio de 1969, durante três dias e receberam-se mensagens de grande significado político, como as de Ferreira de Castro, de Maria Lamas, de José Morgado e de Rui Luís Gomes, ambos exilados no Brasil, de solidariedade com a luta dos estudantes.
Foi apoiante da CEUD às eleições de 1973.
Esteve também ligado à 3ª Congresso da Oposição Democrática, que decorreu no Teatro Avenida, de 4 a 8 de abril de 1973.Como se sabe foi neste que o fascismo com a sua polícia de choque fez uma carga sobre o povo que se dirigia em romagem à campa de Mário Sacramento.
Foi um dos sócios fundadores da Casa de Saúde da Vera-Cruz, que tantos e bons serviços médicos prestou a Aveiro e ainda da Clínica de Santa Joana. Foi do Núcleo inicial do Partido Socialista em Aveiro, sendo durante muito tempo membro do seu Secretariado, partido de que se afastaria ainda nos anos 70, na sequência da votação do Partido quanto à viabilização do governo de Nobre da Costa.
Quando da comemoração do 40º Aniversário da Candidatura de Delgado, em 1998 fez parte da comissão de honra, com outros aveirenses democratas do chamado “Comboio da Liberdade”.

Tendo aberto clínica na cidade, por cima do café ZIG-ZAG, com centenas de doentes, quando notava que eles não tinham desafogo financeiro não cobrava a consulta e a muitos dava até medicamentos/amostra.
Foi-lhe concedida uma distinção pela Ordem dos Médicos, em visita pessoal, ao seu consultório, do respetivo Bastonário, havendo referência ao facto na imprensa local. Na ocasião declarou que iria trabalhar até sentir que era útil aos seus doentes, e, que se pudesse, queria morrer a trabalhar.
Era alguém que amava profundamente a sua terra e as suas gentes, tendo desse facto dado muitas provas ao longo da sua vida. Já agora, a título de mera curiosidade regional, fez parte da Direção do Beira-Mar (vice-presidente) no ano em que subiu à primeira divisão.
Por meu conhecimento pessoal, sei que era um verdadeiro democrata e humanista e aqui fica o meu desejo que lhe seja prestado a devida homenagem.
* Série de publicações ‘Personagens que fazem Aveiro’. Artigo publicado em Aveiro na História.
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