Feliz Dia da Mulher? Resignas-te ou lutas?

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Dia da Mulher (imagem genérica).
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Não gosto muito das palavras feminista ou feminismo, catalogar não é importante, é a luta pela igualdade, pelos direitos da mulher que está em causa.

Sara Tavares *

Decorria o ano de 1909, quando foi comemorado, pela primeira vez, o Dia Internacional da Mulher. Uma greve foi o ponto de partida, mais uma luta pelos direitos da mulher, desta vez com visibilidade tal, que marcou a história.

Não obstante todas as lutas que se seguiram, só em 1975 se reconheceu a data oficialmente. Tantos anos passados e, pese embora vários passos se terem dado, ainda nos deparamos com desigualdades tão marcadas e marcantes.

A violência sobre as mulheres, que muitas vezes acaba em morte à mão de um companheiro é um exemplo gritante da fragilidade da mulher na nossa sociedade. Os números provam essa fragilidade, em 2018 foram assassinadas 28 mulheres em contexto de relações de intimidade e em 2019 já se contam 12.

Urge pôr fim à impunidade dos agressores, no entanto, as mudanças não passarão unicamente por leis específicas e investigações rigorosas no combate a este problema tão grave. A própria mentalidade da mulher tem que evoluir, dever-se-á ver como igual, não permitindo ser tratada com desdém ou violência.

Li uma crónica, na qual a mulher era descrita como uma fada do lar, que deverá ser a retaguarda da família, para que o marido possa ter sucesso profissional, uma vez que, este sucesso, defendia a autora, é um apelo mais masculino.

Fiquei chocada confesso, até porque me lembrei de imediato de alguns casos de mulheres que se anulam em prol da imagem da família feliz. E este anular é tão vincado na sua mentalidade que são capazes de falar com carinho do marido agressor, daquele que a tenta estrangular, no entanto é o pai dos filhos, o companheiro de vida. E o problema não está só na submissão, a que se sujeitam, está igualmente no exemplo que dão aos filhos que observam comportamentos e os imitam.

Capacidade extrema que a mulher terá de amar? Síndrome de Estocolmo? Não sei explicar esta submissão. Não gosto muito das palavras feminista ou feminismo, catalogar não é importante, é a luta pela igualdade, pelos direitos da mulher que está em causa. É a mudança de mentalidades.

A mulher deve conquistar o seu espaço na sociedade, não é retaguarda de ninguém. Deve ter direito a salários iguais, considero a diferença salarial ofensiva para a mulher.

No que à quota de género diz respeito, esta nem deveria ter que ser legislada, as mulheres deveriam ser escolha natural pelo seu mérito e não ser vistas unicamente como o três, o seis ou o nove das listas. As mulheres têm contributos válidos para dar a vários níveis e têm ao longo dos tempos provado isso mesmo.

A sociedade que não lhes feche a porta e que não as empurre para dentro de casa. Li que “o machismo é o medo dos homens das mulheres sem medo”. Não tenham medo homens, não tenham medo mulheres. É de igualdade que falamos, lutem pelos nossos direitos.

Feliz dia da Mulher? É, sem dúvida, importante relembrar as mulheres que lutaram para que aqui chegássemos, bem como refletir sobre o que se conquistou, mas não chega escolher um dia para o fazer! Continuemos a luta, ainda há muito a fazer!

* Professora, eleita do PS na Assembleia Municipal de Aveiro.

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