Empresas: Miralago / Órbita requer PER

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Bicicletas Órbitra.
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A Miralago S.A., detentora da marca de bicicletas Órbita, uma das mais emblemáticas empresas nacionais do sector das duas rodas, com sede em Águeda, atualmente praticamente sem atividade fabril, devido a graves problemas, financeiros e não só, requereu ao Tribunal de Comércio da Comarca de Aveiro um Processo Especialização de Revitalização (PER).

Um expediente judicial alternativo à insolvência que dá a possibilidade às empresas em situação económica difícil e de insolvência iminente de estabelecer negociações com os seus credores, tendentes à revitalização da sua atividade. Caso não haja acordo da maioria para aprovar um plano de recuperação, segue-se a liquidação.

A empresa apenas confirma o requerimento do PER, aguardando que seja colocado ’em marcha’ pelo Tribunal do Comércio e a consequente nomeação de administrador judicial.

“Estamos ainda numa fase muito embrionária do processo, pelo que não tenho nada a acrescentar neste momento”, limitou-se a referir Jorge Santiago, presidente do conselho de administração.

A Miralago / Órbita parou em abril após a rescisão de contratos por parte de meia centena de trabalhadores, a esmagadora maioria da força laboral, devido a três meses de salários em atraso (janeiro a março).

Os primeiros meses de 2019 confirmaram a impossibilidade da Miralago em satisfazer várias encomendas de bicicletas elétricas, e dos sistemas partilhados, após concursos que ganhou.

Só para a Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL), estava em causa um contrato de 23 milhões de euros assinado em 2016. Esta cliente reclama agora 4,6 milhões de euros de indemnização.

Há vários outros casos. Por exemplo, a Universidade de Aveiro tinha adjudicado à Miralago / Órbita 239 bicicletas, entre modelos elétricos e convencionais, por 192 mil euros.

Fundada em 1971, a Órbita chegou a empregar 150 pessoas e a exportar 70% do que produzia para a Europa e África. Os atuais acionistas adquiriram a empresa em 2015.

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