Tecnologias no ensino.

Hoje em dia, ensinar línguas já não é apenas ensinar gramática ou vocabulário. É também formar pessoas capazes de interagir com diferentes culturas, compreender diferentes formas de falar e de viver e desenvolver uma consciência crítica sobre o mundo à sua volta.

Por Liudmila Shafirova *

No projeto TkTkLingua estudo como o TikTok — essa rede social tão popular entre os jovens — pode ser usado para aprender sobre línguas e culturas. O objetivo é investigar como esta plataforma pode ajudar jovens estudantes a desenvolver competências plurilingues, pluriculturais e de literacia digital. Sabemos que o TikTok pode conter conteúdos problemáticos, como vídeos machistas ou racistas, e é precisamente por isso que queremos explorar os seus usos alternativos: formas mais educativas, críticas e criativas de utilizar a plataforma, através de vídeos que misturam línguas, explicam costumes culturais e refletem realidades sociais diversas.

Já aplicámos um questionário a estudantes universitários das universidades de Aveiro, Lisboa e Coimbra, em fevereiro de 2025, tendo obtido 142 respostas completas. A maioria dos respondentes eram mulheres (85%), com idades entre os 18 e os 23 anos. Todos afirmaram ver vídeos em diferentes línguas, com predominância do inglês (99%), seguido do português (93%), do espanhol (54%), do francês (21%) e do italiano (15%). Surgem também línguas mais distantes, com percentagens relevantes, como o coreano (9%) e o japonês (8%). Isto demonstra que os estudantes consomem conteúdos no TikTok de forma multilingue, estando expostos a diferentes línguas e contextos culturais.

Os dados também mostram que 63% dos estudantes sentem que o TikTok os ajuda a aprender línguas, sobretudo ao nível do vocabulário, da pronúncia e da compreensão oral. Além disso, 78% afirmam que aprendem mais sobre culturas diferentes, como tradições, gastronomia e formas de viver.

Mais interessante ainda: 69% afirmam que passaram a compreender melhor fenómenos de injustiça social, como o racismo ou o machismo, e 70% referem que o TikTok os ajudou a refletir sobre movimentos como o feminismo, o antirracismo ou os direitos LGBTQ+.

Entre as preocupações mencionadas pelos participantes destaca-se o funcionamento do algoritmo do TikTok, no sentido de que cada utilizador vive numa espécie de “bolha algorítmica”, podendo receber conteúdos muito diferentes de outros utilizadores. Outra preocupação refere-se às fake news, incluindo vídeos falsos criados com inteligência artificial ou vídeos reutilizados que não correspondem ao contexto que alegadamente mostram.

Tudo isto mostra que o TikTok não é apenas uma forma de entretenimento para os jovens. Por um lado, pode ser uma ferramenta poderosa para aprender línguas e culturas; por outro, pode também constituir uma fonte de desinformação, o que reforça a necessidade de desenvolver consciência crítica e literacias digitais.

* Centro de Investigação em Didática e Tecnologia na Formação de Formadores (CIDTFF) da Universidade de Aveiro.. Artigo publicado originalmente no site UA.pt.

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