Dragagens do Canal de Mira condicionadas pelas marés

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Dragagem da Ria de Aveiro.

As dragagens no canal de Mira da Ria de Aveiro, junto à Costa Nova, estão condicionadas pela cadência das marés, circunstância que pode determinar um atraso em relação à conclusão da obra.

Esta indicação foi transmitida ao MARIA por peritos e especialistas em obras portuárias, que consideram ainda que o facto de o Canal de Mira se encontrar muito assoreado pode vir a concorrer para que a final da obra exceda a data de 31 de dezembro.

Atualmente, o empreiteiro da obra tem duas dragas a operar no Canal de Mira, mas em ambos os casos, por determinação da Agência Portuguesa do Ambiente, existem condicionalismo que impedem aqueles dois equipamentos de trabalhar em regime contínuo.

A draga Cegonha, atualmente colocada junto à Marina dos Pescadores da Costa Nova, só está autorizada a trabalhar nos ciclos de enchente das marés, ao passo que a draga Ramaveiro, de grande porte e com capacidade de armazenamento dos sedimentos, a operar a sul da Ponte da Barra, apenas está autorizada a intervir durante a vazante.

Nos últimos dias, esta última draga tem feito um conjunto de testes de ligação à linha de tubagem que irá conduzir os sedimentos a uma ensecadeira que está a ser instalada na margem junto à saída para a Costa Nova da Ponte da Barra, após ter sido ultrapassado um diferendo com os proprietários do terreno.

Estes testes efetuados pela draga Ramaveiro causaram, inclusivamente, alguma inquietação junto da comunidade de pescadores e de desportistas náuticos, na medida em que foi transmitida a perceção que os sedimentos estavam a ser recolhidos num local e despejados, algum tempo depois, junto ao canal de navegação.

Na verdade, segundo foi transmitido pelos peritos contactados pelo Movimento de Amigos da Ria de Aveiro, o que se passou foi que a draga tem estado apenas a bombear água durante o período de testes para proceder a afinações na linha de tubagem e marcações de sonda para ajustar o calado às diferentes quotas de fundo onde decorrerão as operações.

Em circunstâncias de plena carga, a draga Ramaveiro cala entre 3,7 metros e 4,0 metros, o que, para muitas das zonas a desassorear, constitui um obstáculo à operação daquele equipamento.

A empreitada de transposição de sedimentos para a otimização do equilíbrio hidrodinâmico da Ria de Aveiro prevê a movimentação de um milhão de metros cúbicos de dragados, tem um custo estimados de cerca de 23,5 milhões de euros e prazo de conclusão previsto de 31 de dezembro.

MARIA – Movimento de Amigos da Ria de Aveiro