Covid-19 / Aveiro: Trabalhadores da Transdev obrigados a gozar férias, Bloco questiona Governo e autarquia

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AveiroBus.
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O Bloco de Esquerda enviou hoje perguntas escritas ao Ministério do Trabalho e à Câmara Municipal de Aveiro sobre a situação dos trabalhadores da Transdev obrigados a gozar férias durante o período da pandemia.

O Bloco considera inaceitável este abuso laboral e recusa que a crise seja paga pelos trabalhadores para que a multinacional proteja os seus lucros. É preciso proteger quem trabalha. A situação em Aveiro é mais grave dado a Aveirobus ser uma concessão da autarquia.

A multinacional Transdev está a obrigar os 1.500 motoristas que emprega a gozar férias durante o período de pandemia Covid-19. Inicialmente alguns trabalhadores aceitaram gozar uma semana de férias, mas a empresa insiste agora em ir mais longe e aplicar um período mais extenso contra a vontade dos trabalhadores.

A denúncia é do Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos do Norte. O sindicato indicou que esta situação se regista na Minho Bus, Transdev Norte, Rodoviária Entre Douro e Minho, Caima, Rodoviária Beira Litoral e ETAC – Empresa de Transportes António Cunha, S.A., e em todas as outras empresas do grupo no país.

No mesmo dia em que esta denúncia foi conhecida, a Câmara Municipal de Aveiro anunciou conjuntamente com a sua Concessionária de Transportes Públicos rodoviários e fluviais (Transdev / ETAC / Aveirobus) a redução drástica de carreiras de autocarros a aplicar até 5 de abril, no âmbito da absoluta excecionalidade da pandemia Covid-19.

O grupo Transdev que tem a concessão da Aveirobus recebe uma renda paga pela autarquia para a exploração desses transportes coletivos. Trata-se de um serviço público sob concessão da autarquia. A Câmara Municipal de Aveiro deveria assegurar o respeito dos direitos laborais na empresa que executa o serviço público por si concessionado.

A pandemia Covid-19 tem que merecer uma resposta epidemiológica e de saúde pública para proteger a população. Mas é também missão do Estado garantir que, ainda mais durante a pandemia, os trabalhadores não são desprotegidos e que não existe abuso sobre os seus direitos e violação da lei. A resposta à pandemia necessita de soluções para a economia que permitam a justiça social. A Trandev, uma das maiores multinacionais do sector, não pode passar os custos da crise para os trabalhadores para garantir os seus avultados lucros.

O Bloco quer conhecer a situação na Aveirobus e que o Ministério e a autarquia façam cumprir os direitos laborais junto das entidades competentes e através da concessão municipal.

Bloco de Esquerda

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