Covid-19 / Aveiro: Quarentena atrasa trabalho portuário em tempo de menos navios

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Porto de Aveiro.
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“Uma vez que os aviões estão todos nos chão, nós temos, no mínimo, de manter os navios a flutuar e fazê-los zarpar logo que possível com as cargas ou descargas efetuadas”. É com uma nota de boa disposição que Rui Oliveira, presidente do Sindicato 2013 dos Trabalhadores dos Terminais Portuários de Aveiro fala da atividade quando está por estes a dias cumprir o seu período de quarentena, sem deixar de acompanhar de perto o desempenho laboral sujeito aos planos de contingência da administração portuária e dos operadores devido à pandemia do Covid-19.

“Quem anda no terreno trabalha devidamente protegido, com as luvas, os fatos de proteção. Tentamos, na medida do possível, manter distanciamento. Em algumas situações das nossas tarefas, não assim tão fácil”, explicou o ‘estivador’.

Uma das três empresas de trabalho portuário tomou por iniciativa própria a decisão de manter metade do quadro efetivo ’em rotação’, distribuindo os seus colaboradores por períodos de duas semanas em casa e duas semanas em serviço.

Assim, na eventualidade de surgir algum caso positivo, tem uma bolsa de trabalhadores em condições de ocupar os lugares de possíveis infetados que sejam obrigados a isolamento, o que ainda não foi necessário.

“Os trabalhadores vão fazendo o que lhes é possível para evitar a proximidade. As empresas estão todas a laborar. Já lá vão seis ou sete semanas a evitar que se cruzem muito. É uma situação nova para todos os setores. Estamos, claro, todos preocupados e em alerta, não estamos imunes”, referiu Rui Oliveira.

Com cerca de uma centena de trabalhadores no Porto de Aveiro, a ‘estiva’ tem as suas especificidades na movimentação de carga que motivam nesta altura de pandemia cautelas que não eram habituais.

“Os navios chegam de várias proveniências, de países com problemas de saúde graves, de Espanha, de Itália, com tripulações de muitas nacionalidades. Temos muita reserva a entrar nos porões, nos contatos “para assinaturas e carimbos”, que agora até são feitos por meio eletrónico.

“Evitamos entrar nos espaços dos navios, porque eles também querem acautelar riscos de infeção, passam muito tempo no mar e não querem ficar doentes. Não é viável garantir quarentenas de 14 dias nos portos”, disse o sindicalista.

A temperatura dos trabalhadores portuários é controlada diariamente. Com menos ‘braços’ ao serviço a movimentação de carga demora mais, ainda que os horários se estendam das 8:00 à meia noite.

Para aliviar as tarefas, os operadores portuários concordaram em não assumir mais do que dois navios em simultâneo, apesar de algumas demoras que se vão sentindo.

Em Aveiro, o porto dedica-se em grande medida a carga geral, fracionada, sem linha de contentores regulares. As exportações de mercadorias já se ressentem, atendendo a que há muitas empresas em produção reduzida ou mesmo paradas em lay off. “Sentimos menos navios a chegar ao porto. Houve um abaixamento nestes dois meses, mais notado em abril. Se continuar nos próximos meses, vamos cair bastante”, alertou Rui Oliveira.

Do lado das boas notícias que “podem ajudar a melhorar” está o esperado novo fôlego da Riablades, de Vagos, recuperada com a compra por parte da Siemens – Gamesa, criando alguma expetativa do regresso em força das ‘pás éolicas’, que são exportadas pelo Porto de Aveiro. Assim como a laboração da ASM Industries, com a sua unidade de produção industrial no Porto de Aveiro para construção de torres eólicas e plataformas flutuantes para a indústria das renováveis.

Rui Oliveira acredita que, mesmo que a atividade portuária esmoreça, seja possível continuar remar para o mesmo lado. “Através do diálogo, temos conseguido manter o porto a funcionar em paz social. Desde 2013 que estamos a trabalhar em pleno. Pretendemos é que o trabalho apareça, seja executado com profissionalismo e as empresas saibam retribuir o esforço dos trabalhadores”, concluiu.

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