
Em tempos lancei a ideia de arrojarmos pensar em corredores logísticos em Portugal. Nem sei bem o porquê, mas socorri-me da ideia dos Corredores Ferroviários Europeus e de seguida até pensei que poderia ser uma forma de aumentar a quota do transporte ferroviário de mercadorias, e que ajudaria a cumprir as metas europeias para a descarbonização dos transportes em Portugal.
Por António Nabo Martins *
Bem… aparentemente ninguém “apanhou” a ideia, mas ao olhar para a estratégia Portos 5+ sou levado a pensar que os objetivos aí plasmados poderiam casar com a minha ideia dos corredores. Nem sei bem porquê, mas talvez porque continuo a acreditar nessa (efémera) possibilidade, ou apenas, e só, porque sou naïf.
Sistema portuário
Bem…
As zonas logísticas e económicas em Portugal situam-se basicamente no litoral e estão cada vez mais conectadas por “corredores” de transportes, mas que carecem de planeamento e de desenvolvimento integrado, quiçá de algum tipo de “governança”.
Quem circula na A1 diariamente pode assistir “in loco” a “comboios” de camiões a circular em ambos os sentidos.
Se ainda não conseguimos sequer criar corredores intermodais, pelo menos entre Lisboa e Porto, o desafio torna-se agora mais complexo, porque agora temos de evoluir para corredores sincromodais, onde todos os players se sincronizem e possam trabalhar em prol dos objetivos individuais, mas recorrendo a uma ação coletiva (parcerias) que lhes permite ser mais competitivos. Este conceito aborda o transporte de uma forma integrada, uma vez que combina os vários modos e entidades envolvidas.
Em Portugal, estes corredores podem/devem ter origem junto a um Porto Marítimo, para permitirem trazer/levar as cargas de/até ao hinterland. Deverão ser constituídos por NÓS e por HUBS onde se consolidem/desconsolidem as cargas para realizar maiores distâncias.
Logística em Portugal
Já que não fomos capazes de fazer o mais fácil, pode ser que o plano Portos 5+ ajude a fazer o (ainda) mais difícil.
Num sistema sincromodal todas as transferências entre modos devem ser ininterruptas, eficientes e baratas. Isso só pode ser conseguido com a existência de terminais que, desejavelmente, conectem mais do que um modo, de preferência mais do que dois, no local certo, com a infraestrutura e infoestrutura certas e com o compromisso dos vários stakeholders.
Bem… devem estar a pensar: e dinheiro? Esta ideia surge igualmente porque no corredor identificado na imagem acima, e talvez único com esta capacidade em Portugal, basicamente as infraestruturas já existem, sejam elas públicas ou privadas, e, em minha opinião, estão praticamente todas no local certo. O que falta é a “governança” e a infoestrutura.
A governança, por via de uma entidade pública, deverá liderar o processo e pode ser garantida através do compromisso de todos. Claro que terá de haver apoios ao modal shift a todos os intervenientes nas operações intermodais.
Gestão de carga: O conceito
Estamos na presença de um conceito novo e provavelmente a ideia não será bem acolhida, até porque quando falamos de “inovação” desconfiamos sempre, à partida, de uma “coisa” que desconhecemos.
Talvez fosse interessante começar por um protocolo para o desenvolvimento do corredor, explicando os principais objetivos, a sua estrutura, a forma de participação das entidades públicas e privadas, as condições em que podia ser realizado, as isenções e objetivos de sustentabilidade, assim como as ferramentas de promoção, referindo as expectáveis melhorias de eficiência logística e dos transportes, de forma a estimular a sua utilização.
As partes interessadas terão obviamente funções e objetivos distintos:
- O País ao nível da redução das emissões de CO2, dos congestionamentos, da sinistralidade, e do aumento da segurança e da mobilidade de pessoas e bens.
- A Carga beneficia de organização, previsibilidade, eficiência, segurança e preço.
- Os Operadores beneficiam com planeamento e programação, podendo ter regularidade, melhor gestão, poupança de recursos e economias de escala.
- As autoridades terão mais controlo e fiscalização, e menos atividades ilícitas.
- Tanto a parte pública e como a privada participam das tarefas do corredor. A abordagem do corredor deve ser transparente e clara e a sua gestão não deve criar custos ou encargos administrativos adicionais.
A Estratégia
A estratégia passa por ter:
– Abordagem integrada de forma a otimizar a eficiência e organização do transporte;
– Integrar os sistemas de transporte;
– Manter a competitividade da cadeia de transporte como um todo, contribuindo para uma supply chain mais eficaz;
– Melhorar a segurança, reduzir o consumo de energia e o impacto ambiental;
– Aumentar a competência dos modos mais amigos do ambiente;
– Criar redes de transporte, utilizando dois ou mais modos
– Otimizar a capacidade e eficiência da infraestrutura existente.
– Aumentar a quota do transporte ferroviário de mercadorias, nomeadamente com Espanha;
– Digitalizar e preparar a entrada em vigor do Regulamento eFTI;
– Minimizar a falta de motoristas;
– Melhorar a infraestrutura existente, prepará-la para utilização dual – civil e militar;
Bem…
Só podemos imaginar este corredor, se ele for conectado e conectar todas as partes digitalmente:
– menos papel, mais ambiente;
– menos tempo administrativo, mais eficiência;
– menos tempos operacionais, mais competitividade;
– menos ocupação de espaço, mais disponibilidade;
– menos sinistralidade, mais segurança;
– menos congestionamentos, mais mobilidade;
– menos paragens, mais riqueza.
Recorrendo à canção dos Beatles – IMAGINE;
IMAGINE all the people / living na mesma Plataforma (digital) / You may say I am a dreamer / IMAGINE all the people sharing toda a informação.
* Associação dos Transitários de Portugal. Artigo publicado no site Transportes&Negócios.
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