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O uso de ferramentas de Inteligência Artificial como o ChatGPT na educação tem crescido de forma acelerada desde o seu lançamento no final de 2022, tanto em escolas como em universidades.

À medida que professores e estudantes adotam estes sistemas de linguagem generativa, surge uma pergunta central: esta tecnologia está a melhorar ou a prejudicar a aprendizagem? A resposta mais fiável não vem de opiniões, mas de dados científicos acumulados nos últimos três anos.

Por André Costa *

Uma das análises mais abrangentes publicadas recentemente – uma meta-análise de 51 estudos académicos publicados entre novembro de 2022 e fevereiro de 2025, fornece evidência robusta sobre o impacto do ChatGPT em contextos educativos.

Os resultados mostram que o uso de ChatGPT pode ter um efeito positivo significativo no desempenho académico dos estudantes. A melhoria média no desempenho (medida por métricas padronizadas) foi considerada grande, indicando que, quando integrado de forma adequada em atividades de aprendizagem, a ferramenta pode realmente apoiar resultados académicos.

A mesma análise aponta para efeitos moderados, mas consistentes, em como os estudantes avaliam a sua própria compreensão e na capacidade de pensamento de análise, síntese e resolução de problemas mais complexos.

Estes efeitos positivos não surgem automaticamente. A investigação indica claramente que os melhores resultados académicos são alcançados quando o ChatGPT é usado como uma ferramenta integrada num contexto pedagógico estruturado – por exemplo, como parceiro de aprendizagem que complementa métodos tradicionais, em lugar de um atalho para respostas rápidas. Estruturas como aprendizagem baseada em problemas ou tutoria assistida por IA demonstram resultados mais fortes do que um uso não orientado ou esporádico.

Estudos complementares e revisões sistemáticas reforçam estes achados: ferramentas de IA podem personalizar a aprendizagem, oferecer feedback em tempo real e aumentar o engajamento dos estudantes, especialmente quando combinadas com a orientação de professores.

É importante notar que a literatura também aponta para riscos e limitações. Em contextos onde a IA é usada de forma isolada, sem enquadramento pedagógico, estudantes podem desenvolver dependência excessiva no sistema ou perder oportunidades de praticar competências cognitivas essenciais. Estudos recentes também identificam potencial redução da originalidade ou esforço crítico, sobretudo quando a IA substitui o processo de raciocínio em vez de o apoiar.

A evidência científica é clara: o impacto do ChatGPT na educação depende de como é usado. Integrado de forma responsável e alinhado com objetivos pedagógicos claros, pode ser um aliado valioso para melhorar desempenho, promover autonomia e enriquecer a experiência de aprendizagem. Caso contrário, corre-se o risco de sacrificar competências fundamentais em favor de soluções fáceis.

* Prof. Adjunto Convidado do ISCA-UA. Artigo publicado no site UA.pt.

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