Bloco propõe inclusão das Rias e de estuários nos instrumentos de política climática

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Ria de Aveiro.

A proposta apresentada prevê a proteção e recuperação de pradarias marinhas e sapais e a sua inclusão na resposta climática. As maiores áreas destes ecossistemas, com enorme capacidade de absorção de carbono, encontram-se na Ria de Aveiro e na Ria Formosa.

Vários estuários como o Tejo, Sado, Mondego, Mira, Guadiana, Arade, Alvor, assim como a Lagoa de Óbidos e as baías abrigadas na costa da Arrábida e do Algarve apresentam áreas relevantes.

“A crise climática é provocada por um sistema económico que depende da queima intensiva de combustíveis fósseis e consequentes emissões de gases com efeitos de estufa. Também é provocada pela destruição de ecossistemas que são sumidouro naturais de dióxido de carbono”, referiu o deputado Nelson Peralta.

“As pradarias marinhas e os sapais são bastante importantes na resposta climática quer na mitigação quer na adaptação. São igualmente centrais na proteção da biodiversidade. No entanto, a sua área tem diminuído preocupantemente e tem sido votadas ao abandono pelas políticas públicas”, considerou o parlamentar do Bloco de Esquerda.

“Estes ecossistemas estão sujeitos a um ciclo vicioso”, alertou Nelson Peralta. “A destruição de pradarias marinhas e sapais não só reduz a capacidade de sequestro de carbono como liberta carbono dos sedimentos. Por sua vez, os efeitos da crise climática – subida do nível médio das águas do mar, mudanças de temperatura e fenómenos climáticos extremos mais frequentes – degradam ainda mais estes ecossistemas. Por fim, com a perda destas áreas, as zonas costeiras ficam mais expostas às tempestades e à erosão”.

Face à urgência de resposta climática, “o Bloco de Esquerda apresentou uma proposta que visa estudar e conservar estas áreas e garantir a sua recuperação até 2025. Propomos ainda a inclusão das pradarias marinhas e dos sapais nos instrumentos de política climática com medidas concretas, desde logo no Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050. Mas também no Plano Nacional Energia e Clima 2021-2030 e no Inventário Nacional de Emissões de gases com efeito de estufa. E pretendemos que sejam introduzidos objetivos e ações no Programa de Ação para a Adaptação às Alterações Climáticas, único documento que refere estas áreas, embora de forma vaga”, enumerou o deputado bloquista.

Para Nelson Peralta, “a inclusão e valorização destes ecossistemas na resposta climática reconhece a sua importância ambiental mas também económica. A crise climática ameaça o planeta e Portugal é um dos países com maiores riscos na Europa. É preciso agir decisivamente e com urgência”.

As propostas:
https://www.parlamento.pt/ActividadeParlamentar/Paginas/DetalheIniciativa.aspx?BID=45760

Bloco de Esquerda

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