Bateira ‘Labrega’ incluída no espólio do Museu Marítimo de Ílhavo

1219
Bateira 'Labrega', Museu Marítimo de Ílhavo.
Smartfire 728×90 – 1

Uma bateira ‘Labrega’ passou a integrar exposição permanente do Museu Marítimo de Ílhavo, informou a edilidade local.

Numa altura em que aquele espaço museuológico celebra o seu 81º aniversário, vê enriquecido o seu espólio e “o testemunho da forte ligação dos Ílhavos ao Mar e à Ria de Aveiro.”

Uma das prendas pela efeméride, anunciada a 8 de agosto, foi a oferta por parte da Associação dos Amigos do Museu de Ílhavo (AMI) de uma bateira ‘Labrega’, embarcação típica da ria construída pelo mestre António Esteves, no seu estaleiro, em Pardilhó, Estarreja.

A sala da Ria do museu está agora “mais apetrechada na missão patrimonial de salvaguarda de mais uma embarcação lagunar prestes a desaparecer.”

As coleções foram também enriquecidas com algumas doações e aquisições, das quais se destacam o desenho ‘A Despedida’, que integrou a exposição História Trágico Marítima, oferecido pela autora Maria Gabriel; a miniatura de embarcação vencedora do IV Concurso de Nautimodelismo, uma ‘canoa da picada’, da autoria de Paulo Agra, e um compasso de dóri oferecido por Éric Pages.

As herdeiras do professor Mário Ruivo e do Capitão de Mar e Guerra José Emílio Santos Pinto Pereira ofereceram ao Museu as suas coleções de slides e de fotografias, respetivamente, “resultados de algumas campanhas que fizeram na pesca do bacalhau.”

A Câmara lembra que o Museu Marítimo de Ílhavo “é hoje um museu singular, mantendo a sua missão em preservar a memória do trabalho no mar, promover a cultura e a identidade marítima dos portugueses.”

Bateira Labrega

“Tosca, mas airosa, embreada a negro, e de bica de proa caracteristicamente levantada, menos atrevida que a do chinchorro, foi construída pelo «mestre de primeira água» António Esteves, de Pardilhó.
Com um comprimento de 8,40 m, boca 1,82 m, pontal com 0,53 m e 14 cavernas, navegava a remos, à vara ou à vela e dedicava-se à antiga, singular e engenhosa «arte do salto», para a tainha. Depois da vela bastarda, aderiu à moda da vela latina quadrangular, auxiliada, por um pequeno leme de xarolo, de cabeça direita, tipo mercantel.
Sobretudo característica da Murtosa, expandiu-se pelo país, através da diáspora de gentes da região – para sul, integrando-se na «saga dos avieiros» no Tejo, e mesmo até Setúbal, no Sado e, para norte, até à Afurada, chegando a decorar-nos também por aqui, o canal de Mira, na Costa Nova, em tempos idos.”

Ana Maria Lopes (adaptado)
Blog: Marintimidades 7 de agosto de 2018