Rua Eça Queiroz, Aveiro.

No Dia Europeu sem Carros, o presidente da Câmara de Aveiro deu como certo a pedonização da Rua Eça Queiróz, que esteve fechada ao trânsito nos últimos dias como “projeto piloto, e, eventualmente, de mais alguma das artérias limítrofes, sem necessidade de “obras de fundo”.

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Aveiro: “Projeto-piloto” na Rua Eça de Queirós durante a Semana Europeia da Mobilidade

Anúncio feito durante um primeiro balanço da Semana Europeia da Mobilidade, a que o município voltou a aderir em pleno após vários anos de interregno. O objetivo foi renovado: “aumentar fortemente os espaços pedonizados em Aveiro”, uma cidade que “fez muito pouco” nesse sentido “ao longo dos anos”. Mesmo com “perturbações”, Luís Souto está convencido que “o saldo será positivo” e já antecipa uma “faixa de esplanadas” para vivenciar a rua.

Pergentino Martins, comerciante nonagenário ainda ao balcão da Casa Pergentino, disse que, “por estes dias notou-se menos clientes” no comércio de proximidade como o seu. “Eram pessoas que vinham de carro, paravam aí. Vamos ver o que vai acontecer”, comentou na expetativa de novas mudanças no lugar das 5 Bicas, que ainda há poucos anos foi reabilitado. No quiosque vizinho, a cliente que anda a pé “é grosso de quem entra, pelo que o negócio pode adaptar-se bem” ao fim da passagem de veículos automóvel. Uma moradora ainda não atravessa a rua sem olhar, mas concorda com a medida. “Os carros nem precisam de vir por aqui, até dão bem a volta”, constata.

O corte do trânsito em parte da Avenida Lourenço Peixinho, entre o Oita e as pontes, bem como a Rua Clube dos Galitos, para atividades do dia, teve implicações na circulação na principal artéria da cidade, mas também congestionou mais os acessos através da A25 e ex-En109, agravado por um acidente em hora de ponta, atrasando a chegada ao trabalho de muitos automobilistas que utilizam diariamente aquelas vias.

Críticas na Assembleia Municipal

A Semana Europeia da Mobilidade motivou referências na Assembleia Municipal. Bruno Fonseca, eleito do Livre, lamentou a tentação de “apresentar medidas avulsas, eventos pontuais e decisões momentâneas para as fotografias”. A nível nacional, apontou o caso do alargamento passe ferroviário ‘verde’, uma “ideia do Livre”, avançando “sem avaliação da capacidade de resposta”. Já a nível local, estranhou falar-se do metrobus sem trabalho prévio: “só faz sentido em estreia articulação intermodal e num canal dedicado”, referiu, reclamando “políticas de mobilidade” concretas “para as necessidades das populações, de modo a acabar com “o caos na cidade” ou garantir transportes “em articulação coesa com o território”, acautelando, especialmente, as freguesias mais afastadas do centro, onde faltam também ligações em mobilidade suave. Exigiu, ainda, reclamar junto do Governo a dinamização da Linha do Vouga.

Fernando Nogueira, do PS, não deixou de “saudar” a iniciativa municipal, apesar de “um programa mais de animação urbana da cidade do que de mobilidade”, incluindo “algumas coisas pitorescas penduradas, como piquenique e um baile ou a caminhada em movimento com alunos de deporto do coordenador da iniciativa”. O eleito alerto que “animação e políticas públicas são coisas diferentes”. Aplaudiu a isenção de ferry para residentes em São Jacinto, lembrando surgiu entre propostas do PS “consideradas populismo e que agora é oportunisticamente anunciada”, deixando as tarifas de automóveis de fora e com uma linha de ligação de autocarro dedicada por conta da Busway “que não assegura a eficiência” desejada. Concordou com a relocalização de apeadeiros da Linha do Vouga, outra proposta do PS, sem deixar de estranhar a forma “avulsa e sem enquadramento” como é anunciado, atendendo à necessidade de tirar maior potencial da ferrovia. “O mais estranho dos anúncios foi o metrobus, temos uma rede de transportes com défice de utiliza e até avaliação – ainda não temos a de 2025 – e propõe-se sem qualquer sustentação ou quantificação. Decide que é boa solução, depois faz estudos…”, criticou Fernando Nogueira. A gratuitidade da primeira hora das BUGAS 2 (bicicletas partilhadas) também mereceu concordância, esperando o eleito, contudo, que seja feita uma avaliação para “se será que é este o verdadeiro problema” do sistema.

“Há muito mais bicicletas a atravessar a avenida, ao contrário parece que não há mais carros” – Presidente da Câmara

Luís Souto antevê intervenções “sobretudo para desviar trânsito que não tem necessidade de usar a avenida” (declarações no primeiro balanço Semana Europeia da Mobilidade, abaixo).

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