Aveiro: Presidente rejeita críticas ao Plano Estratégico da Cultura

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Câmara de Aveiro.
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Os eleitos do PS abstiveram-se na votação do Plano Estratégico da Cultura (PEC) de Aveiro levado ao executivo, esta quinta-feira, apontando uma série de reservas, mais de contéudo do que de forma, contrariadas pelo presidente da Câmara.

Coube ao vereador Manuel Oliveira de Sousa fazer a avaliação da estratégia traçada, que “existe na sua matriz estrutural para dar resposta à candidatura de Capital Europeia da Cultura, o que não é mau”.

“Sentimos que está muito centrado na cidade, na captação de fundos europeus e no turismo”, resumiu o socialista, notando que “fora da cidade, nas freguesias, as referências maiores são quatro situações, que centram-se essencialmente na divulgação e elenco de equipamentos, na rede de infraestruturas”. Estranhou por isso, que não haja “um programa que se execute diretamente nas freguesias, a não ser a apresentação de produção nessas freguesias”.

“Não vemos a parceria estabelecida com a Universidade de Aveiro”, foi outra das “ponderações” suscitadas pelo PS na reflexão, expondo “dificuldade em perceber” como a Câmara deseja “operacionalizar” a proposta de promover a “literacia cultural” nas escolas.

O PS dirigiu as críticas maiores para certas “incoerências” do PEC “que deixam desconforto político no contexto do que vivemos no município” por força de “opções de gestão”, que vão, segundo a oposição camarária, retirar capacidade de execução e, consequentemente, deixar objetivos por atingir.

No tocante à “participação e envolvência de territórios culturais”, por exemplo, “não há essa tendência, temos um histórico de cinco anos onde não o vemos”, exemplificou Manuel Oliveira de Sousa, apontando outras práticas, nomeadamente nas áreas da inclusão social ou mobilidade. Nesta última, a Câmara “tem uma opção pelo automóvel” e não vai ao encontro do reforço dos transportes públicos, como tem sido exigido. “Como também não se pode falar de sustentabilidade, sendo a favor de um estacionamento em zona frágil como é o Rossio”, referiu ainda.

Para o vereador do PS, a Câmara deveria ainda ter construído o PEC com os seus próprios recursos e só depois envolver terceiros. “Fez uma opção de pedir o apoio externo. Víamos primeiro o trabalho por quem tem essa responsabilidade na Câmara e depois entraria um ‘amigo’ externo, uma entidade que viria ajudar à sua maturação e monitorização. Foi outra opção, partimos de princípios que nos distinguem politicamente em relação ao processo”, concluiu.

Nas respostas, Ribau Esteves contrariou a ideia sobre o ponto de partida do PEC. “Não é feito para dar resposta a qualquer candidatura, isso está claro. Decidimos ter um plano estratégico para a cultura e uma decisão, a candidatura, que nos incentivou, não obrigou”, explicou.

O autarca não deu razão às outras queixas. “O PS tem sempre uma grande dificuldade para dizer bem, a verdade é que é reconhecido que o trabalho da cultura tem qualidade, cresceu muito, é uma referência regional e em algumas áreas em termos nacionais. O PS não tem dimensão de alma, dizer que é preciso fazer melhor mas estão a fazer bem”.

Ribau Esteves garantiu que o PEC também “não tem centralidade nenhuma na cidade, é marcadamente municipal”, sendo que falar-se na cidade resulta da “nomenclatura europeia”.

Além disso, “trabalha muito as questões da inclusão, já que muito poucos cidadãos consomem cultura”, propondo “ações inovadoras” ( receituário de cultura, por exemplo) “e objetivos”. Já a parceria com Universidade de Aveiro “é exactamente ao contrário” do que o PS constatou.

“O PS tenta dizer mal do plano e da incoerência da capacidade de execução quando não há ainda a execução”, acrescentou o líder da edilidade.

Já a referência ao estacionamento previsto para o Rossio “é um disparate de tal ordem que não vale a pena discutir, mesmo sabendo que vai ter uma função cultural, um centro interpretativo. O PS tem uma visão totalmente distorcida”, criticou.

Discurso direto

“Lamento a expressão mal educada, mal intencionada, de dizer que o nosso prestador de serviços é um ‘amigo’. O senhor tem estas diabruras de vez em quando. Somos amigos de muita gente com quem trabalhamos. Insinuar que entregamos um plano a amigo é uma das infelicidades, de religião pode dar aulas mas de moral só dá pedradas no charco. Contratamos uma das melhores empresas do país nesta área” – Ribau Esteves

“Temos esperança que um dia aproveite as ideias e não as conteste com essa baixeza como as faz. Está em causa ser professor de religião e moral ? Tenho esperança que saiba lidar com a oposição , com a diferença de opiniões. Já não é a primeira vez que diz isso. É falta de argumentos face ao que está em causa, lido bem com isso, já nos conhecemos há muito tempo. Referi que é um amigo externo, uma figura externa, disse-o nesse contexto, derivou sem sentido. Não quis fazer qualquer juízo. As pedradas vão caíndo no charco, até que fica cheio de pedras e podemos atravessar” – Manuel Oliveira de Sousa.

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