Aveiro: Plano Municipal de Ação Climática em busca “do melhor equilíbrio possível”

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Cidade de Aveiro (foto /www.rialidades.pt/).
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O presidente da Câmara de Aveiro aproveitou, esta terça-feira, a sessão pública destinada a assinalar “o arranque” da elaboração do Plano Municipal de Ação Climática para deixar “um apelo” a uma “atitude de cidadania ativa”, através da participação pública, por exemplo, nos questionários que vão ser promovidos, entre outras iniciativas.

“Temos de ter a humildade de saber que nestas matérias da ação climática, das alterações climáticas, ninguém tem contributos muito relevantes para dar, temos pequenos contributos para dar. Só teremos sucesso se somarmos muitos pequenos contributos”, alertou Ribau Esteves, sublinhando a importância, no mínimo, dos cidadãos acompanharem o processo já em curso, “sabendo o que se passa”.

O plano surge no seguimento de outras iniciativas municipais e intermunicipais no âmbito do combate às alterações climáticas, tendo sido contratado o apoio técnico de uma “entidade capacitada para ajudar”.

Aveiro terá, explicou o edil, um “instrumento de gestão para cuidar do nosso contributo para o melhor equilíbrio climático possível”, com enfoque especial na “gestão dos riscos maiores” do município e da região, dos quais o edil identificou “a inundação” de água doce e salgada ou da conjugação de ambas como “um dos riscos maiores” das alterações climáticas.

A sessão pública foi seguida da primeira reunião da comissão consultiva da ação climática municipal, na qual tomam parte, a convite da autarquia, diversos especialistas e representantes de entidades (públicas e privadas) “com capacidade técnica e experiência própria” para dar contributos nestas matérias.

Por obrigação legal, o Plano Municipal de Ação Climática terá de ser concluído em 2023, traçando orientações para melhorar a capacidade de adaptação do território aos riscos climáticos e a sua mitigação, propor medidas concretas, disseminar a informação e, por último, ‘passar à ação’.

Aveiro tem “bombas relógio”

Susana Loureiro, consultora da empresa SPI que foi contratada pelo município, recordou que este tipo de planeamento surge enquadrado nas medidas lançadas pela Lei Bases do Clima para cumprir as exigências legais para, até 2050, alcançar uma redução de pelo menos 90 % das emissões de gases causadores do efeito de estufa, rumo à neutralidade carbónica.

Aveiro tem nos domínios ambiental e paisagístico caraterísticas do seu território “que são uma bomba relógio que temos de proteger”, alertou a técnica, apontando para os casos da Ria de Aveiro e da orla costeira, assim como a existência de zonas protegidas “que exigem um equilíbrio para defender o ecossistema”, como acontece com os impactos da subida da água do mar.

Um concelho “com forte dinamismo empresarial, que cresceu em termos populacionais, muito concentrado, onde existem fluxos pendulares muito expressivos”, como as entradas e saídas no concelho, o que influência pela negativa a a emissão de gases com efeitos de estufa.

Discurso direto

“Só vejo um valor positivo no que se está a fazer e no que se fez. Temos de colaborar para melhorar toda esta estratégia. Faço duas lembranças. A primeira, sobre o que se faz no Rio do Novo do Príncipe, ao dizer que, caso contrário, pode desaparecer e o ‘velho’ voltar; cuidado, talvez daqui a 50 anos isso mesmo pode acontecer. Temos de deixar já nestas intervenções de plano alguma capacidade de reserva do que vai acontecer, será a tendência natural. O Rio Vouga vai retomar o caminho, não estejamos a querer modificar radicalmente. Sem dúvida, cumprindo o necessário para a segurança das populações, mas também criar alguma capacidade de evolução. Noutra vertente, será importante ter em conta a qualidade do ar neste plano, Aveiro tem nove postos de informação, quando se fala de descarbonização e CO2 era importante ter essa informação e disponibilizando-a” – Carlos Borrego, Instituto do Ambiente e Desenvolvimento (IDAD) da Universidade de Aveiro.

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