Aveiro / Dia Mundial do Ambiente: In (Ação) Climática

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Ria de Aveiro (Foto de José Dinis partilhada no seu Facebook).
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Não deixa de ser irónico que o documento que é apresentado pelo executivo aveirense seja completamente antagónico às políticas que têm sido implementadas pelo PSD/CDS.

Por João Sarmento *

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Em 2022, António Guterres, no seu discurso de abertura da COP27 começou por dizer que “estamos numa autoestrada para o inferno climático com o pé no acelerador”. Esta é, talvez, a frase que mais representa as novas gerações. Como referiu no seu discurso, estamos, de facto, a lutar pelas nossas vidas. É uma batalha que estamos a perder (!) a todos os níveis. As emissões de gases com efeito de estufa continuam a aumentar. As temperaturas globais continuam a aumentar. O nosso planeta aproxima-se rapidamente de pontos de rutura climáticos irreversíveis. Esta é uma batalha que não reconhece fronteiras, países desenvolvidos ou países emergentes. O combate às alterações climáticas faz-se com todos e a vários níveis.

A União Europeia lançou o repto para atingirmos a neutralidade carbónica até 2050, e reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em 55% até 2030. Portugal quis dar o exemplo e foi o primeiro país no mundo a definir um roteiro para neutralidade carbónica, e aprovou a Lei de Bases do Clima, em 2021. E, convém lembrar, que foi graças a esta Lei que se forçou os municípios a aprovarem, em Assembleia Municipal, um plano municipal de ação climática. O combate às alterações climáticas começa, precisamente, nas autarquias locais.

Em Aveiro, o plano de ação climática já foi aprovado. Num documento bastante completo e informativo, ficaríamos todos agradados se aquele documento fosse, de facto, aplicado. Todavia, não deixa de ser irónico que o documento que é apresentado pelo executivo aveirense seja completamente antagónico às políticas que têm sido implementadas pelo PSD/CDS. No fundo, são os próprios que reconhecem que erraram ao longo destes anos. Desde logo, na sensibilização e na formação dos munícipes – de todas as idades – para a importância do combate às alterações climáticas – porque este combate faz-se com todos; não só com os mais novos. Fica difícil fazer esta sensibilização quando se cortam árvores indiscriminadamente, sem acautelar os seus impactos para o ambiente e para as pessoas. Também nos espaços verdes e permeáveis, este executivo admite que pouco ou nada fez, uma vez que o plano de ação climática prevê o “aumento da área permeável” e a “utilização de materiais sustentáveis”. É de lamentar que, ao longo de 11 anos, não tenha sido criado de raiz um único parque verde.

Infelizmente, relativamente à mobilidade o cenário é ainda mais negativo. Apesar de ter havido um reforço dos transportes públicos (muito à custa dos transportes intermunicipais), esta aposta requer a sensibilização e divulgação necessária junto das escolas, universidade, empresas e freguesias. Isto porque não existe uma estratégia de mobilidade que estabeleça filtros modais e condicione o uso do automóvel. Pelo contrário, adotou-se uma ideia de convergir o automóvel para o centro da cidade, uma vez que várias ruas perpendiculares à Avenida Dr. Lourenço Peixinho passaram ou passarão a ter circulação nos dois sentidos, trazendo ainda mais carros e mais poluição para o centro da cidade. Devemos ser a única cidade no mundo onde o transporte público cede passagem ao particular! Ao nível da mobilidade suave, Aveiro é uma cidade parada na década de 1980. Enquanto cidades como Barcelona e Paris fecham as ruas ao transito e criam espaços verdes com ciclovias para usufruição pública, em Aveiro, a cidade da BUGA, rasgamos estradas e colocamos os carros em frente às portas da escola dos mais novos e mais vulneráveis.

Somos pioneiros em criar uma faixa de “tomada e largada” de estudantes, promovendo de forma errática a utilização do transporte particular. No município de Aveiro, após várias obras recentes, continua a ser impossível um estudante deslocar-se de bicicleta desde a Estação de Comboios a uma (qualquer) escola secundária do município, utilizando uma ciclovia dedicada. Tardamos em perceber que, como fez os Países Baixos (e outros) na década de 70/80, primeiro criam-se as infraestruturas para, posteriormente, atrair os utilizadores, utilizando a política como um condutor de promoção do melhoramento de hábitos e qualidade de vida das pessoas.

Sim, o combate das alterações climáticas faz-se também a nível municipal. Contudo, faz-se com as pessoas. Auscultando e sensibilizando todos os munícipes, todas as freguesias, todas as escolas, com a universidade e com as Empresas. Só seremos capazes de travar esta batalha, se todos tivermos consciência do que está em causa e as consequências que as alterações climáticas podem ter na saúde e biodiversidade de tudo o que está à nossa volta. A solução passa por nós, só precisamos de melhorar os nossos hábitos.

* Licenciado em Contabilidade (ISCA-UA). Mestrando em Gestão (Universidade Portucalense). Presidente de concelhia da Juventude Socialista de Aveiro.

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