Aveiro / “Declaração de voto”: A ‘frente de obras’

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Edifício sede da Assembleia Municipal de Aveiro.

Declaração de voto” – Espaço de opinião semanal das bancadas dos partidos representados na Assembleia Municipal de Aveiro.

  • Comentário à frente de obras da Câmara em curso no espaço público e outras que terão início proximamente (Implicações na circulação e outros constrangimentos estão a ser acautelados devidamente ?).

“A Câmara Municipal de Aveiro tem atualmente em curso 70 (setenta) obras e 40 (quarenta) projetos, claramente demonstrativo do grande dinamismo do Executivo Municipal e da sua capacidade de promover a melhoria das condições de vida dos Aveirenses e a imagem da Cidade. O Município, apesar das dificuldades vividas no setor da construção, como a carência de empreiteiros, o aumento do custo dos materiais, a dificuldade de fornecimento e de recursos humanos, cenário que se vive mundialmente e não apenas localmente devido à pandemia, tem conseguido articular devidamente e de forma eficaz o calendário de obras e a sua articulação na vida da Cidade. Exemplo dessa boa coordenação é a previsão de iniciar a obra na Rua Mário Sacramento, no momento em que as implicações negativas da obra da Avenida Europa estiverem ultrapassadas, procurando atenuar os seus efeitos nefastos na normal circulação. De igual forma, temos o bom exemplo das obras da Avenida, cuja programação foi devidamente pensada em 8 (oito) Fases, compatibilizando as mesmas com a vida da Avenida e a sua dinâmica, prevendo-se a sua conclusão para Fevereiro de 2022. Assim, consideramos que mesmo em cenário pandémico, o Executivo Municipal tem conseguido de forma satisfatória acautelar os normais constrangimentos das setenta obras que tem curso no espaço público, contribuindo para o bom e sustentável desenvolvimento da Cidade.” – Catarina Barreto (PSD)

“Atualmente, em Aveiro, com as obras que estão em curso, há graves prejuízos diretos para os Aveirenses, com prejuízos de gastos de tempo, danos em viatura, consumos alargados, chegadas atrasadas ao emprego, e a qualidade de vida posta em causa, verificando-se ainda graves prejuízos indiretos, como a criação de barreiras de acesso ao comércio local e atrasos nas chegadas aos locais a que se dirigem. Verifica-se uma enorme tensão e litígios com a CMA, que nada dignificava a qualidade da democracia e as pessoas continuam a não ter resposta atempada às suas solicitações, e que mereciam saber se os problemas colocados foram rececionados. Em contrapartida, a situação relativa à limpeza de terrenos e espaços públicos, passeios, passadeiras, iluminação, recolha de resíduos e aos transportes públicos não tem melhorias.
Não há um Plano de Execução de Obras. A estratégia é a mesma que este Presidente de Câmara sempre usou: muita confusão em ano eleitoral, pagar com o dinheiro público à comunicação social para fazer marketing territorial e, com isso, eleitoralismo com força.
Atraso e oportunidade das obras na Avenida Lourenço Peixinho, na Rua da Pega, Estação da CP, Parque de Estacionamento da Estação da CP, Verdemilho, Rua dos Ervideiros, Avenida Europa (rotundas para grandes superfícies comerciais e passagem superior da Linha do Norte) e decisões sobre patrimónios que mexem com a história e raízes culturais de Aveiro e desenvolvimento sustentável, como é o caso do Rossio.
Este desespero eleitoralista não ouve ninguém. Os aveirenses (até o soldado desconhecido!) continuam a ser colocados de lado.
É preciso mudar isto. Urge dar voz e vez a todos na construção da nossa cidade, empregos, associações, serviços públicos, pelo desenvolvimento sustentável e pela qualidade de vida em Aveiro livre e democrática.” – Francisco Picado (PS)

“A existência de qualquer obra, mesmo a mais simples, em espaços públicos, implica sempre constrangimentos a todos os que utilizam esse mesmo espaço. Não há qualquer hipótese de assim não acontecer.
O problema dos incómodos causados e da sua minimização é algo que faz parte da programação de qualquer obra, o que acontece é que estamos a atravessar um tempo em que os imprevistos que vão surgindo destroem qualquer programação. Lembremo-nos apenas da possibilidade de surgir um surto de Covid numa equipa de trabalhadores, ou do aparecimento de infra-estruturas não cadastradas no subsolo ou ainda da imprevisibilidade das condições climatéricas, sobretudo em obras que decorrem no Inverno, e temos logo um amplo conjunto de variáveis que são impossíveis de considerar na fase de planeamento.
Problema diferente é a simultaneidade de várias obras que podem interferir umas com as outras, algo que, em Aveiro, a Câmara tem procurado evitar. Mas como todo o processo burocrático inerente a um concurso público também tem variáveis não controláveis, podem acontecer situações em que os calendários se sobrepõem.
O balanço é claramente positivo. Aveiro tem tido um conjunto alargado de obras no espaço público, que implicam com as nossas rotinas na utilização desse mesmo espaço público, mas o resultado final será certamente de uma acentuada melhoria de que todos iremos beneficiar.” – Jorge Greno (CDS)

“Não é caso único de Ribau Esteves. Chega a ser sabedoria popular que em ano de eleições autárquicas multiplicam-se obras em espaços públicos, em jeito de campanha eleitoral alargada.
O investimento público, no qual entram obras no espaço público, deve ser feito de acordo com apenas um objetivo: a melhoria de vida dos cidadãos, sobretudo dos que enfrentam condições mais difíceis.
No entanto, os investimentos do executivo de Ribau Esteves seguem outras lógicas:
1 – Obras que se traduzam no benefício de privados com as mesmas. Vemos os casos das obras da Avenida. Ou ainda o Rossio. Projetos que partem sobretudo para alimentar interesses privados da hotelaria e da especulação imobiliária de luxo, por exemplo na existência de um parque de estacionamento subterrâneo – mesmo que o tempo já se tenha encarregue de provar que este projeto não é só insustentável como desadequado, naquilo que se precisa de um centro urbano e de mobilidade suave;
2 – O cumprimento de uma agenda eleitoralista que toma os eleitores por desatentos. O investimento público não deve servir para a manutenção do poder. Deve sim servir para projetar o futuro definindo programas de habitação pública e recuperando espaço público para o transporte suave.
Este 2021 o demonstrará. Mas não deveríamos esperar melhor?” – Eduardo Antunes (BE)

“O conjunto de obras que decorrem ao mesmo tempo em Aveiro, para além dos próximos projectos a implementar, reflectem a antítese daquilo que se exige num planeamento do território inteligente, resiliente, sustentável e, sobretudo, participado. Esta autêntica trapalhada, sem a devida auscultação e participação das populações, só pode ser interpretada como a preparação do acto eleitoral autárquico deste ano. Embora algumas intervenções em determinados arruamentos e frentes de ria, como a rua da pega, fossem necessárias e prioritárias, outras são fruto simplesmente da teimosia política do Edil (como o caso do Rossio, por exemplo).
Vários moradores têm reclamado sobre o prolongamento das obras, com atrasos significativos, devido à falta de trabalhadores por razões de confinamento, quer por atrasos na entrega de materiais pelos fornecedores que estão com a produção em baixa, o que conduz consequentemente a que os empreiteiros tenham dificuldade em cumprir os prazos estabelecidos. O Edil estava elucidado e sensibilizado pelas diversas intervenções do PCP na assembleia municipal, na fase de discussão dos projectos, para estas e outras questões que poderiam surgir com a avalanche de obras públicas em plena crise sanitária e social que o País atravessa. Infelizmente, como é hábito e característico deste Executivo Municipal, nenhuma foi ouvida e acautelada.” – David Silva (PCP)

“O PAN não estranha que todas as grandes intervenções surjam em simultâneo no último ano do mandato. Esta estratégia é utilizada há mais de quatro décadas e, aparentemente, continua a resultar. Prevemos um grande impacto económico na população, especialmente no comércio e restauração, que vão adicionar à frustração trazida pela pandemia, outro período de grande perturbação e irregularidade na sua atividade. Tendencialmente, a opção reiterada de tornar a cidade em um grande estaleiro, é também a mais cara. Aliás, no caso do Rossio, intervenção que já sofreu novo ajuste no calendário, sem ainda sequer ter começado, o Executivo reconheceu um agravamento no orçamento para tornar a obra mais rápida e “limpa”. Veremos o que sucede. As nossas reservas são muitas, desde logo em relação ao resultado que antevemos com estas intervenções, especialmente em relação à valorização excessiva do turismo de massas e na insistente predominância do automóvel no centro urbano. Mas a bem de todos os aveirenses, não sendo possível reverter a errática decisão do Executivo, fazemos votos para que corra tudo bem e em conformidade com os prazos estabelecidos e sem derrapagens financeiras.” – Rui Alvarenga (PAN).

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