Debate autárquico sobre Aveiro, RTP (2025).

“Sou eu contra todos”. Luís Souto posicionou-se, assim, a dado momento, no debate organizado esta sexta-feira pela RTP a pretexto das eleições autárquicas, que juntou os cabeças de lista para a Câmara de Aveiro, a que apenas faltou a candidata do PAN. 

O candidato da coligação PSD-CDS-PPM, o mais interventivo em defesa própria, e mesmo nos apartes, viu-se ‘rodeado’, em vários momentos, pelos restantes participantes.

A polémica do Plano de Pormenor do Cais do Paraíso foi suscitada logo no início. Luís Souto aprovou a proposta, a par da maioria, já na recta final do mandato, deixando aberta a porta para a construção de uma unidade hoteleira. “Foi conivente e gosta da solução”, concluiu o irmão Alberto Souto, candidato do PS, para quem o desenho do plano foi ‘feito à medida’. Seguindo o mote, Diogo Machado, do Chega, disse ter na sua posse peças encontradas no documento agora aprovado incluídas num projeto do privado, que remonta a 2019.

A imagem de três torres com 12 pisos divulgada pela empresa proprietária da maior parte dos terrenos necessários – ainda que sem corresponder, como ressalvou Luís Souto, a qualquer projeto apresentado formalmente -, gera protestos desde 2019, atingindo o ‘climax’ em recente Assembleia Municipal, orgão a que preside o candidato da ‘Aliança com Aveiro’.

Também no obrigatório tema da habitação, Luís Souto teve de ouvir o candidato do PS apontar-lhe o claro apoio à política da maioria atual de não construir habitação social, “sem levantar uma única vez a voz”, a segunda ‘tirada’ em que procurou acertar ‘onde dói mais’.

Mas ao contrário do Cais do Paraíso, o cabeça de lista da coligação PSD-CDS-PPM surge agora a divergir do rumo traçado por Ribau Esteves. Pretende apoio financeiro do Governo e até lançou “um repto” para consensualizar uma posição municipal para reconverter com fins habitacionais o quartel da GNR, na Rua de Sá. A ideia foi apresentada primeiramente por Alberto Souto, que até quis ceder alguns segundos para que o irmão mais novo pudesse desenvolver…

As carências habitacionais atuais levaram João Moniz, do Bloco de Esquerda, a uma inesperada declaração elogiosa dos tempos da gestão do CDS em Aveiro: “Temos de resgatar o espírito de Girão Pereira”, o falecido autarca que construiu o bairro social de Santiago, o maior da cidade.

O cabeça de lista bloquista continuou a ‘fazer render’ os créditos da proposta de retomar a taxa turística, que viu os candidatos aprovarem por unanimidade, e até já a consensualizar ‘acertos’ com sugestões. Isabel Tavares, do PCP, defendeu isenções para quem vem trabalhar ou para jogos desportivos, por exemplo. Luís Souto disse que “à partida é favorável”, embora queira analisar o assunto com os operadores turísticos para “concertar”  posições.

Acabou por ser a segunda matéria em que Luís Souto voltou a divergir da maioria em funções. O presidente Ribau Esteves suspendeu a cobrança da taxa turística e foi sempre contrário à sua reintrodução.

Ao fechar, o moderador questionou a disponibilidade dos intervenientes para entendimentos pós-eleitorais, caso o desfecho não seja uma nova maioria absoluta. Os irmãos não responderam diretamente. Luís Souto preferiu usar o tempo para ‘colar’  o irmão à “dívida e gestão ruinosa”.

Já Alberto Souto disse que, se a disputa com o irmão puder servir para mostrar ao país que é possível ter uma campanha com “educação e elevação”, como garantiu pretender fazer, “já valeu a pena”, recebendo indicação de eventuais apoios à sua esquerda, ainda que sob condições. O Bloco apontou a construção de habitação acessível. Bruno Fonseca, do Livre, também fica disponível, “desde que os critérios estejam bem em cima da mesa”.

Diogo Machado, do Chega, respondeu claramente “não” a qualquer entendimento, seja com quem for, exibindo o seu próprio programa eleitoral.

“Perderam uma grande oportunidade” lamentou Luís Souto dirigindo-se a Miguel Gomes, da IL, que recusou integrar a coligação. “Faremos entendimentos desde que seja para o interesse de Aveiro, mas sem nos comprometermos com outras forças políticas”, explicou o liberal.

“Nós viemos para um debate e não para um teatro, estava aqui uma encenação entre irmãos”, ironizou Paulo Alves, independente pelo movimento Amar Aveiro / Nós Cidadãos, perspectivando em qualquer caso “um ‘bloco central’, porque “vão entender-se” nas adjudicações, advogando “uma dispersão de votos para a democracia possa funcionar”. “E se não forem eles a ganhar”, questionou em jeito de provocação final Diogo Machado.

Ver debate da RTP com candidatos à Câmara de Aveiro – eleições autárquicas de 2025

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