Aveiro Arte: Cinco fundadores, 50 anos depois

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Fundadores do Aveiro Arte.
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Foi a juventude, a amizade, o sonho, a cumplicidade e a certeza que a juventude pode ser eterna, que uniu um grupo de jovens que recusavam um tempo em que a liberdade criativa era considerada subversiva e toda a atividade intelectual estava sujeita ao lápis azul de uma censura anacrónica.

Por Sérgio Azeredo *

“Nunca sonho quando durmo, mas sim quando estou acordado.”
Joan Miró

A Galeria Morgados da Pedricosa é um lugar precioso, um laboratório de aprendizagens onde a arte pode ser avaliada em relação aos feitos de cada um, constituindo-se como uma enorme motivação para o muito que podemos ver, olhando para além do óbvio.

Entre o conhecimento e a recusa, cruzam as nossas mentes imagens e signos num desafio constante à lógica e ao senso comum. Uma totalidade comunicativa une quem a frequenta, tornando-nos parte de um todo, numa fusão emocional com a poética dos objectos.

É isso que, mais uma vez, poderemos sentir ao observar as propostas apresentadas pelos artistas / fundadores Cândida do Rosário, Artur Fino, Jeremias Bandarra, Hélder Bandarra e Jaime Borges. Propostas que vão sempre muito para além do ôntico, o que enriquece o conteúdo simbólico das suas obras e fundamenta as suas linguagens plásticas.

Como há tempos tive a ocasião de escrever, a propósito de uma outra exposição, foi a juventude, a amizade, o sonho, a cumplicidade e a certeza que a juventude pode ser eterna, que uniu um grupo de jovens que recusavam um tempo em que a liberdade criativa era considerada subversiva e toda a atividade intelectual estava sujeita ao lápis azul de uma censura anacrónica.

Criaram um movimento com uma personalidade própria e uma especificidade diversa onde sempre pontuou o respeito pela liberdade de conceção de cada um, sabendo tornar realidade os sonhos aparecidos do nada, que perduram até hoje, porque a amizade pode ser eterna e a cumplicidade também, como prova o vigor e a vitalidade criativa das suas obras, cinquenta anos depois.

São eles os verdadeiros responsáveis por tantos anos de divulgação da arte em Aveiro, por essa divulgação se ter mantido ininterruptamente presente, pelo AveiroArte se ter tornado uma referência, rompendo as fronteiras do concelho. É por tudo isto que a Galeria Morgados da Pedricosa é um lugar precioso a visitar.

* Presidente do Círculo Experimental dos Artistas Plásticos de Aveiro – AveiroArte

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